sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia do Livro, dia de muitas coisas, dia de tudo

Hoje é Dia do Livro. Quantas vezes nos esquecemos que é também Dia dos Direitos de Autor... sem eles não haveria livros...
A iniciativa é da UNESCO e celebrada por todo o mundo.
Ao contrário do que tanta vez se diz, lê-se cada vez mais e o livro é uma espécie de sapato, sem o qual nos sentimos desconfortáveis e primitivos. Pode ser uma bota, uma sandália, um ténis, uma soca, uma sapatilha, o que for, mas faz-nos falta e sem ele não estamos completos.
O Dia do Livro é como o Dia do Pai, da Mãe ou o dia de Natal, é sempre e quando quisermos. Porquê 23 de Abril? A 23 de Abril morreram Cervantes e Shakespeare, e da Catalunha, onde foram dados os primeiros passos desta celebração, rapidamente se expandiu e se tornou oficial. Assim, celebra-se hoje o mundo, o passado, o presente e o futuro. Celebra-se a memória.

Na próxima terça feira vou estar com cinco jovens escritores chilenos - Gonzalo Garcés, Andrea Jeftanovic, Marcelo Leonart, Juan Pablo Meneses e Pablo Torche – cujo percurso tem sido semelhante e fazem a minha delícia e inveja. Um deles afirma que a escrita tem que reflectir a rua, e eu leio nesta afirmação que tem que retratar a vida, a vida que pulula nas ruas, as gentes, os anonimatos que mais não são do que a repetição de qualquer um de nós, gestos, comportamentos, reacções, palavras, sentimentos, estares, com as diferenças, poucas, que caracterizam as pessoas. Ele diz que nos últimos dez anos não tem feito mais nada a não ser viajar e escrever, escrever e viajar. E eu sinto inveja dele. Sinto que ali, naquelas palavras, está a minha essência perdida numa vida cujos contornos se perfilaram noutros caminhos.

Hoje é Dia do Livro e no Dia do Livro recebi (finalmente!) uma crítica a um trabalho meu: negativa! Pelo menos deram-se ao trabalho de me explicar porquê: até aqui recebi respostas a dizer que o plano editorial estava preenchido nos próximos seis anos (é verdade, eu guardo esta preciosidade...). A crítica é construtiva, bem feita, não desdenhosa e feita por mãos e olhos profissionais.
Continuo sempre desconfiada que os meus amigos são os maiores mentirosos do mundo ao incentivarem-me. Quando replico que não escrevo mal mas falta-me uma qualquer chama que ainda não se acendeu, argumentam que está acesa mas ainda não foi vista. Vai dar ao mesmo.

A dor de dentes inacreditável que me perseguiu desde o fim de semana passado era presságio de qualquer coisa e agora já sei do quê. Mas sobre ela falarei em capítulo dental. Ou dentário. Ou cariado, como as minhas perspectivas.

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