quinta-feira, 28 de março de 2013

Armelim de Jesus


Samuel Úria tem uma das mais belas canções que andam por aí nos rádios, rádios esses que se sentem orgulhosos de passar aquela letra, tenho a certeza.
Fala de um homem inteiro, Armelim de Jesus, e diz-nos que Armelim não tem fim, que há nomes tão fortes que a morte só leva emprestado. 
Canta-nos ao ouvido que era Armelim, tão recto que um fio-de-prumo fica embaraçado e garante que deixou essa grande pegada do seu coração.
Letra emocionante, música linda, estou apaixonada e não canso de Armelim de Jesus.

Das cores


O Inverno é Negro, o Verão Amarelo, a Primavera Arco-Íris e o Outono Castanho.
Que grande parvoíce!
Sou dona de todas as cores mesmo daquelas que a Robbialac faz só de encomenda.
As minhas calças amarelas de ontem – com uma camisola de riscas amarela, verde e preta, fatiota abrasileirada à qual só faltava uma estampagem a dizer Ordem e Progresso – foram escolhidas para combater o cinzento instalado por este Inverno teimoso que nem uma porta e para provocar a mariquinhas da Primavera que está mas não está, devia estar mas anda em parte incerta, irresponsável estação que não assume as suas obrigações e deixa que o Inverno se assolape, nem tendo sido necessário um golpe de estado, nem uma revolução para ficar com o que não é seu.
Detestando calças, com este tempo não tenho vestido outra coisa, mas uso-as de todas as cores: laranja, verde bandeira, encarnadas com cornucópias, azul forte, brancas, amarelas, de ganga azuis e azuis sem ser de ganga, de vários azuis.
A parte de cima é igualmente soalheira e agora que estou muito mais magra já me atrevo a uns estampados nas mamas ou na barriga, como hoje que ostento a Union Jack do pescoço à cintura.
Não prescindo de qualquer cor na roupa e face ao preto, cinzento, castanho, preto, cinzento, castanho e ainda, preto, cinzento e castanho que toda a gente usa, nos transportes ou na rua sinto-me uma bola de espelhos das discotecas no meio dos oficiais preto, cinzento e castanho.
Anseio pelo tempo das saias e calções já que agora só raramente os visto, pois implicam vestir collants, a peça de roupa mais mal enjorcada que já se criou. Quando os visto ando o dia inteiro apertada, transpirada, sufocada e aparento-me com Gru, o Mal Disposto.
Não tenho aquela peça indispensável em qualquer armário, por vezes em duplicado, com diferentes formatos: calças pretas. Tenho um casaco preto estilo Matrix que raramente uso pois a subir ou descer escadas faz-me parecer a rainha Vitória a segurar as saias. Se estiver nos meus melhores dias de despenteamento, até parece que uso coroa!
Irrita-me solenemente o ar de cemitério em que as pessoas se mantêm, não fazendo nada para contrariar este cinzentismo, do tempo e dos tempos em que vivemos.
Vestir uma roupa colorida não muda nada? Muda tudo, faz-me sentir uma ilha de boa disposição, salto à vista no espelho do lavatório da casa de banho entre três ou quatro pessoas a lavarem mãos, dá-me leveza e transporta-me para fora deste eterno Inverno. 

terça-feira, 26 de março de 2013

Como escrever um livro em uma semana


Nos últimos dias estive enclausurada à noite por vontade própria. Em conversa com uma amiga investigadora na área da História da Arte dizia ela que o plano de digitalização de obras gordas da nossa cultura, fomentado pela Biblioteca Nacional, era uma maravilha. Assim evitava ter que se deslocar e tinha várias obras à distância de um clique. Só era pena que, tendo acesso às imagens de cada página, não se pudesse pesquisar no conteúdo, como acontece com outros projectos de digitalização patrimonial por esse mundo.
Falou-me a seguir de um certo livrinho com o qual estava a trabalhar, que já o tinha impresso mas, de cada vez que precisava de consultar um determinado termo ou expressão, tinha que procurar no emaranhado de riscos que já fizera nas fotocópias.
Dando-me umas páginas a ler, dei por mim a rir com os conselhos do Autor e a forma da escrita.
Fui para casa e deitei-me ao trabalho. As últimas noites foram passadas a transcrever aquele belo e curioso texto. Dormi muito pouco mas aprendi muito o que, se mais fosse preciso, vem dar razão ao provérbio que sentencia que quem muito dorme pouco aprende.
Depois de muitas verificações, mais leituras, interrompidas pelas ambulâncias que fazem muito mais barulho quando passam a altas horas, mais correcções e ainda mais leituras, finalmente, o texto final, transcrito para linguagem actual, em pdf para ser pesquisável, ficou pronto.
Escrevi-lhe uma Introdução e inclui um capítulo sobre o Método utilizado, explicando as opções tomadas. Dediquei-o à CD, nem outra coisa se podia esperar. 
Fiquei mesmo feliz quando lhe vi a satisfação. Os agradecimentos dela não são maiores do que os meus, por me ter ajudado a descobrir novas leituras e me ter proporcionado esta viagem nocturna tão saborosa.

Quem diz a verdade não merece castigo


A ausência do Duarte faz-me sentir em férias.
Não há treinos nem jogos, não há almoços deixados feitos de um dia para outro, não há jantares às onze da noite, nem trabalhos escolares, nem quarto desarrumado.
Não há telemóveis a apitarem a todo o instante, nem namorada a tocar à campainha; não há amigos com stresses que têm que ser resolvidos naquele instante, independentemente da hora; não há toalhas molhadas e uma máquina de roupa por dia para lavar, estender e secar; não há toneladas de roupa para passar a ferro.
Não há pratos esquecidos ao lado do sofá, nem telefonemas entre-dentes com o pai; não há pedidos de um euro para ir ao café; não há horas passadas sentado na sanita, não há música que assemelha a casa a uma discoteca.
Não há sapatos e ténis espalhados por todo o lado, nem entradas de rompante no meu quarto, através do qual se chega ao lugar onde guardamos o calçado.
Não há trocas da chave do carro – ai o carro… - e combinações, rapidamente descombinadas para se combinarem outra vez, sobre a localização do carro, no parque de alcatrão ou no lamaçal.
Se eu usasse relógio durante esta semana podia deixá-lo a descansar. Falamos todos os dias e a voz dele indicia boa disposição e alegria.
Parece mal dizer que me sinto repousada e descansada? Não, a verdade nunca parece mal.

O bêbado e a equilibrista


Não, não é só o nome de uma canção da Elis Regina.
Ontem na plataforma do metro estava um bêbado tão bêbado que temi caísse à linha. Fui chamar um vigilante mas o metro chegou primeiro e o homem entrou, de mochila às costas, chapéu-de-chuva e uma garrafa de tinto na mesma mão.
Os lugares iam razoavelmente ocupados e várias pessoas seguiam em pé. Uma jovem de arma em punho, perdão, de telemóvel em riste tentava equilibrar-se e mandar mensagens escritas em simultâneo, o que a levava a estar aos solavancos para a frente e para trás.
O homem embriagado cantava e dizia repetidamente olá a toda a gente.
Caminhando muito devagar na carruagem, de repente, deu com os olhos na jovem cuja mensagem continuava a sair-lhe das pontas dos dedos.
O homem olhou a rapariga, esticou o pescoço, abriu muito os olhos, abriu os braços. Enquanto isto ela desengonçava-se alheia ao resto do mundo, com ar de quem está a salvar o planeta com um sms.
O bêbado, virou-se devagar para a parte da carruagem que levava mais pessoas e disse em voz arrastada, como quem conta um segredo:
- Eu trago a garrafa aqui à mostra, ela tem uma escondida, acreditem em mim.

Pelos Algarves


Sinto-me descalça. Há semanas que o carro dá problemas, não pega, faz barulhos, não anda.
O Duarte foi para o Algarve no sábado com uns amigos e tinha combinado contribuir com o carro. Nos últimos dias andou num desespero sem saber se o podia levar. Acabou por levar o do avô que, por sua vez, ficou com um de substituição, que me deram à última hora. E eu ando a pé.
Depois de um fim-de-semana extenuante hoje de manhã pedi boleia a uma vizinha que também vai para a estação. Custou-me pedir boleia, mas o cansaço falou mais alto.
Duas vezes por dia tenho notícias dos algarvios: estão bem, obrigada, está sol, estão na praia, ganharam um concurso de bierpong. Bierpong? Que é isso? Pergunto-me mentalmente, escondo a ignorância, e pergunto ao tio Google. Fico a saber que é uma forma de competição em que se bebe, quer se ganhe ou se perca.
Como sempre, o primeiro instinto – por defesa? medo? – é de ficar zangada, ou melhor, em pânico. Depois acalmo e penso em vários disparates que fiz com a idade dele. E mais nova. Muito mais nova. 
Com estes pensamentos deixo a confiança instalar-se; instalar-se, mas não sentar-se nem acomodar-se, apenas a deixo entrar.
Pergunto pelo carro. Que está ali, sossegado, é tudo perto, não precisam dele, apenas o usaram no primeiro dia para irem ao supermercado. Tanto melhor, sossego sem que ninguém se aperceba que fiquei desassossegada. 
E espero por sábado, dia do regresso.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Eu quero a Primavera!


Atingindo a idade de reforma uma amiga mudou-se de Lisboa para o Algarve. Estando a casa de praia já mobilada fez o enorme favor de distribuir os móveis da capital pelos amigos. Assim, vi-me com duas peças novas lá em casa, mais uma mobília de quarto para os meus pais e outra para a I. e uma máquina de lavar loiça para a minha irmã.
Este fim-de-semana não meti o nariz na rua e pintei um dos móveis, forrei as gavetas do outro com um papel primaveril onde os puxadores – todos diferentes – assentaram que nem uma luva. Forrei as gavetas do meu quarto com um tecido pelo qual me tinha apaixonado há meses e que andava a vaguear pelo armário, sem saber bem o que lhe fazer, mas morrendo de amores por ele.
Troquei o papel de parede que forrava a caixa do estore do quarto do Duarte, troquei-lhe os cortinados e fui desenterrar uma colcha velha que, tudo junto, fez um quarto novo.
Mesmo com luvas, colei os dedos várias vezes e usei litros de diluente. Dei cabo das unhas e das mãos que ficaram ásperas como as de um marinheiro.
Aproveitando o domingo soalheiro lavei cobertores e colchas e almofadas e tudo. Os quartos parecem outros, o ar renovou-se e a alma da casa está sorridente. 
Embora o tempo pareça parado e a Primavera que já devia ter chegado continue a ser uma esperança, dentro de mim ela está viva e respira.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Uma excelente viagem


Não sei em que estação entrou mas quando a olhei vi uma senhora velha como o tempo. Sorri-lhe e disse-lhe, sente-se aqui. A rapariga ao meu lado, na coxia, levantou-se imediatamente e disse não ser necessário, que ela dava o lugar. A senhora sentou-se, baixinha, gordinha, com um lenço colorido na cabeça com ar de ser tão ou mais antigo que ela. Os pés balouçavam-lhe numa imagem de ternura profunda, tão profunda como o tempo que ela carregava. E foi com os pés a balouçar que ela me tocou no braço e agradeceu e tocou no braço da rapariga e voltou a agradecer. Não fizemos mais que a nossa obrigação, disse eu sorrindo e olhando a rapariga que concordou a sorrir também.
Já são 96 anos minha senhora, 96 anos minha menina, repetiu olhando a jovem. Sabe, eu vendi jornais e tabaco num quiosque na Baixa desde 1949 e agora, olhe, tenho boa cabeça e gosto de ir passear à Baixa.
Disse-lhe que fazia muito bem, dei-lhe os parabéns, eu, a rapariga, alguns outros companheiros de viagem, de tal forma que pouco faltou para receber 96 vezes parabéns, felicitações que ela recebeu sorrindo, apertando-me levemente o braço com uma mão com tantas rugas como uma preciosa peça de filigrana.
Ela com 96, eu com 48 e a jovem com cerca de 20, formávamos um triângulo de tempos sorrindo. Foi uma excelente viagem. 

Lasanha com molho de religião


Há muitos, muitos anos a minha irmã começou a chamar Piriquito ao namorado. Ainda antes de casarem já o Piriquito tinha um petit nom: Quico. Na mesma altura, pela boca da minha irmã, eu passei a ser Quica, nome pelo qual sou conhecida entre parte da família há quase 20 anos. Há amigos dos meus sobrinhos que me chamam Tia Quica e eles próprios dizem ter uma Tia, do lado do pai, e uma Quica, da parte da mãe.
Há desacordos ortográficos na forma de escrever este meu pseudónimo familiar: eu uso o Q e o C, a minha irmã facilita e simplifica e usa o mais internacional K. Ela manda-me um email, por exemplo, dirigido a Kika e eu respondo e assino Quica, tal como os postais que mando aos gaiatos com imagens divertidas e com mil beijinhos só para se aquecerem com a lembrança de mim.
Até agora não parecia haver alguma coisa que nos ajudasse a definir quem tem razão. Até agora…
A propósito da eleição papal a minha sobrinha perguntadora – se lhe der para saber da origem do universo e se a resposta vier por insistência, ela ficará a saber brevemente – quer saber das razões do papa ter desistido. A conversa decorre diante de um jantar de lasanha, com o paizinho algures na Tailândia e a mãezinha a acompanhar o jantar e a fazer de mãe, ou seja, com a mão em vinte coisas em simultâneo.
Ele logo esclarece que os Papas não desistem, resignam, que é a mesma coisa mas para Papas.
- Então porque é que ele… isso que tu disseste? – pergunta ela com uma gota de molho a espreitar pelo canto do lábio.
- Por estar muito cansado e achar que não consegue trabalhar como deve – respondeu ele do interior da sua ciência de 10 anos.
- Pois, mas o outro antes era muito velho e estava muito cansado de certeza e não desistiu ou isso que tu disseste e só foi embora quando morreu. Não foi mãe?
- Sim filha, mas este Santo Padre estava ainda mais cansado e não conseguia aguentar.
- Santo Padre? Mas ele é santo? – pergunta ela novamente.
- Sabes filha, costuma-se chamar Santo Padre aos Papas porque eles são o representante de Deus na terra, percebes? O Papa é a pessoa mais importante dos cristãos – diz a mãe sabendo que a conversa se vai alongar e desejando interiormente que o paizinho, que tem resposta para tudo, estivesse ali.
- Mãe – o ar dele é de condescendência - para os cristãos, não! Para os cristãos católicos, porque há cristãos que não são católicos.
- Sim, tens razão, para os cristãos católicos.
- Pois, mas eu não percebo porque é que este se foi embora – mantém ela.
- Olha, por falar em Papas, vocês sabem que o anterior, o João Paulo II, uma vez levou um tiro e a bala está na coroa de Nossa Senhora de Fátima? – a mãe tenta desviar a conversa para um universo policial.
- Levou um tiro? – a expressão dela é de espanto – E porquê? Quem lho deu?
- Acho que foi uma pessoa de outra religião, um…
- De outra religião? – a voz dela sai indignada como quem diz ‘existem mais?’ – Que religião?
Mãe e filho respondem ao mesmo tempo:
- Árabe.
- Muçulmana.
- Bem, em que ficamos? – reclama ela imediatamente.
- Na verdade chama-se Islamismo, mas no fundo quer tudo dizer o mesmo.
- Mas então há mais deuses? – pergunta ela estupefacta.
- Sim, há mais deuses e de vez em quando as pessoas de religiões diferentes zangam-se e este quis matar o Papa – a explicação é do filósofo júnior.
- Então há pessoas que não acreditam em Jesus e em Deus – conclui ela metendo mais uma garfada de lasanha na boca – Mãe, nós conhecemos alguém assim?
- Se calhar conhecemos, mas agora não me lembro de alguém.
- Já sei! – a mãe ouve esta exclamação e fica receosa do extâse da filha – Conhecemos a Quica! Ela não é religiosa, se calhar ela é muçulmana!
Mãe e filho riem-se e o filho adianta:
- Não, a Quica é cristã não católica, porque ela não vai à igreja nem essas coisas, mas ela vive numa comunidade cristã, percebes?
- Então a Quica acredita em Jesus? – quer ela saber.
- Filha, a Quica acredita em Jesus porque Jesus foi uma pessoa que viveu há muitos anos, como se fosse um… um… olha, um rei antigo, percebes? Há provas que ele existiu e a Quica sabe disso.
- E no pai de Jesus? No nosso Deus, ela acredita?
A mãe está exausta e decide facilitar:
- Sim, ela acredita em Deus.
- Hum… olha que acho que não, mas se tu dizes… - a conclusão é da minha sobrinha que não se cansa – E olha lá, como é que Jesus sabe que é filho de Deus?
O irmão dá uma ajuda à mãe mostrando os conhecimentos da catequese:
- Porque foi um anjo lá a casa dizer isso mesmo.
- Um anjo? Quer dizer, bateram à porta, quem é? Sou eu, o anjo, e venho dizer que tu não és filho do Senhor José mas sim filho de Deus? Foi assim? E eles acreditaram? O anjo podia estar a mentir!
- Mas se foi Deus que o mandou – o irmão está a ficar impaciente.
- Sim, Deus mandou-o, mas eles não sabiam! Como é que acreditaram? E quando ele falou a Maria disse o quê?
- Ai filha, sei lá o que disse a Maria…
- Mãe, sabes que a Maria esteve na Igreja da Misericórdia? – o entusiasmo é dele.
- Qual Igreja da Misericórida? – espanta-se a mãe.
- Esta aqui em Coruche!
Mãe e filha falam ao mesmo tempo:
- Não filho estás enganado, ela…
- A sério? Então Jesus também cá esteve! Pois, ele andou por todo o lado: Jerusálem, Belém e isso, só não sabia que tinha vindo a Coruche.
A mãe interrompeu-se a si própria para dar espaço às gargalhadas e finalmente disse:
- Não! Nem Maria nem Jesus estiveram aqui – e dirigindo-se ao filho – Porque dizes que Maria esteve na Igreja da Misericórdia?
- Mãe… - a voz é em tom baixo mas em modo superior – isto é uma forma de dizer porque todas as Marias simbolizam a Maria mãe de Jesus.
- Como assim? – pergunta a irmã novamente – Há muitas Marias!
- Não, não há, só há uma! As Fátimas e as outras são todas a mesma! – esclarece ele.
- É assim, mãe? – ela quer uma confirmação.
A mãe informa que as imagens nas igrejas simbolizam de facto uma só Maria e dá graças a todos os deuses por a lasanha se ter acabado. Manda-os para a sala onde ligam a televisão e se centram na divindade do canal Panda. A seguir telefona-me e decide-se finalmente que, face à suspeita de eu ser muçulmana e quiçá pertencer à Al-Qaeda, não posso ser uma americanizada Kika e sou mesmo Quica!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Go César!


João Manzarra nasceu com o rabinho virado para a Lua. Tem uma vocação natural para agarrar as pessoas mesmo que lhes peça para telefonarem para um número de valor acrescentado, um sorriso espontâneo e extremamente simpático, um estar descontraído e será um apresentador nato em programas como Vale Tudo ou num renascido TV Rural.
Mas se ele é a cara de Vale Tudo, outros há que são ossos, músculos e demais tecidos, como Inês Castel-Branco, João Ricardo ou o cerebral Rui Unas, e outros ainda deviam participar em programas à experiência e serem convidados apenas a ficar a assistir. Custódia Gallego é uma boa actriz mas falta-lhe desenvoltura para um Vale Tudo, desenvoltura essa que ela pensa conseguir arranjar, ou superar, uma vez que tem consciência disso, através de piadas e meneios sem graça.
A eterna Floribela – ontem em traje de homenagem aos Irmãos Dalton – é despropositada e, numa atitude infantil, repete gestos e ditos sem perceber que uma piada gasta deixa de ser piada. Tem uma voz poderosa que ali não é usada e as competências que explora empobrecem o programa.
E se há uns melhores que outros, de longe, muito longe, e se João Manzarra é a cara do programa, há quem seja a alma, faça o que fizer, diga o que disser, sentado ou a representar, a dançar ou simplesmente a sorrir: César Mourão é engraçado, domina, não mostra ares de estrela e, no entanto, brilha mais que todos os outros juntos e isto sem guião ou com guiões pobres como franciscanos, como são os de Gosto Disto!
É natural e fluente na linguagem do mundo cómico e engraçado, dono de um dom mágico que muitos, tantos, perseguem e imitam, mas poucos atingem. César Mourão é daquelas pessoas que até a dormir deve ter graça e que, ao contrário, por exemplo de Marco Horácio, que é um comediante extraordinário quando veste as suas personagens, Mourão é-o inatamente.
Provavelmente falta-lhe o conhecimento do dicionário e a profundidade de um Ricardo Araújo Pereira ou, se calhar, um grupo homogéneo onde se potencie o todo para que se possa evidenciar.
Seja como for, já hoje ele se destaca e com uma aparente humildade que nos faz gostar ainda mais dele. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da Mulher


Respeito com vénia as razões que levaram a esta comemoração e arrepio-me ao pensar nelas, tenho vertigens só de saber que a História se repete um pouco por todo o lado ainda hoje.
Mas só me lembrei que era Dia da Mulher quando um aluno me entrou no gabinete a pedir um chapéu-de-chuva emprestado e me parabenizou. Agradeci.
É Dia da Mulher para as novas e para as velhas, solteiras e casadas, mães, tias e irmãs. É Dia da Mulher para as vivas e para as mortas. A Paula faria ontem anos se fosse viva.
Lembro-me do dia que a conheci, de pele muito branca, mulher enorme em tamanho e em interioridade, dois anos mais velha que eu, a querer muito, muito, muito ser mãe, a natureza a contrariá-la, ela a teimar e a adoptar uma criança, mas afinal quem é que manda aqui?
Mulher de convicções, de pulso firme e grande cabeleira ondulada que se movia como uma montanha quando ela se ria. Pessoalmente nunca fui alvo da sua ira, mas assisti a vários confrontos e não são bons de lembrar pois se era a pessoa mais divertida do mundo quando estava bem-disposta, era terrível em dias maus.
Já naquela altura eu era apaixonada por baleias e andava sempre a dizer que queria ir aos Açores, mas não tinha dinheiro. Lembro-me que estávamos no café do António a almoçar, uma tasca espectacular, pelo dono, pelos empregados e pela frequência. Quando repeti a conversa das baleias a Paula olhou-me com seriedade coreografada e disse-me que não era preciso ir aos Açores pois no mês seguinte ela iria para o Algarve. Eu só tinha que ir também e esperar que ela vestisse o fato de banho preto para ver uma orca nas águas quentes de Lagos. Disse isto, levantou-se e começou a dar aos braços como se fossem barbatanas e a emitir sons esquisitos e terminou sentando-se e dizendo: Quem dá o que tem a mais não é obrigado. Rimos a bom rir com aquela espontaneidade tão típica dela.
Trabalhámos juntas na Câmara Municipal, que oferecia às mulheres um almoço seguido de espectáculo, todos os 8 de Março. Por norma a Paula, a Lena e eu ficávamos juntas e era rir até fartar. Num desses almoços chamaram-me ao telefone, coisa inusitada, quem teria tanta pressa, para quem seria eu tão urgente? O meu avô morrera, o meu amado avô Gualdino, morrera.
O meu cabelo vindo há poucas horas da cabeleireira esbateu, a minha roupa um pouco mais vistosa ensombrou-se, as gargalhadas transformaram-se em lágrimas e as minhas amigas acompanharam-me nesta imensa tristeza.
Anos mais tarde recordei com a Lena, e diante de uns bons copos, aqueles almoços do dia 8 de Março e a exuberância da Paula. Brindámos-lhe como se ela estivesse connosco. A bem da verdade, ainda está porque há pessoas que nunca desaparecem. 

Tack, Stieg Larsson


De empreitada li os três livros de Stieg Larsson, a trilogia Millenium. Adorei o primeiro, Os homens que odeiam as mulheres, gostei bastante dos outros, A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo e A rainha no palácio das correntes de ar. A construção de Lisbeth Salander é extraordinária e Mikael Blomqvist é um precioso acessório.
A trilogia – de Editora Oceanos, Grupo Leya - está gralhada mas o enredo é tão bom que fui saltando sem demoras até ao fim. Livros difíceis de ler no Metro, por causa do volume e do peso, só lia à noite e, chegada à meta, não deixo de pôr um ponto de interrogação ao pensar no ataque cardíaco que deu ao autor. Que estranho.
A páginas tantas já os, para nós, bizarros nomes de povoações e pessoas me pareciam naturais e lia-os como estavam escritos sem engolir letras e sílabas como costumamos fazer quando os nomes são complicados.
Tudo assenta na perfeição, o mal extremo a enviuzar-se pela vida das pessoas normais e as pessoas que podiam ser normais a criarem mundos herméticos e cerrados onde nem o oxigénio entra.
Polícia contra polícia, jornalistas ciosos de verdade e justiça, a vingança a passear-se como quem se oferece e a ser agarrada e usada. E a dar prazer. E que prazer.
Depois da leitura decidi-me a ver os filmes. A surpresa foi total. Pela primeira vez senti que um filme fazia jus a um livro. A multiplicar por três.
Longe dos cabeleireiros de Hollywood há pessoas e não personagens. Pessoas completamente desconhecidas, na medida em que não lhes reconheço a cara fruto da minha ignorância sobre cinema sueco, mas conhecidas na medida em que já sabia tudo sobre elas com a leitura dos livros.
Não vi o filme com o belo Daniel Craig na pele de Blomqvist mas antes as versões suecas onde o jornalista é um tipo que já sofreu de bexigas e tem as marcas na cara, veste camisolas de mangas compridas meias tortas e fatos de treino sem qualquer estilo, bem ao estilo de uma pessoa com aquelas características. Não há cá as camisas brancas bem passadas a ferro que Craig usava no pouco que vi na apresentação do filme americano.
Erika Berger anda permanente e naturalmente despenteada e sem brilho mas com uma veracidade que não via há anos, ao contrário da sua colega americana que tem o verniz de Hollywood, cujo cheiro se sente a léguas. Erika mostra um pequeno pneu na cintura e umas cuecas de gola alta que lhe tapam a barriguinha maior do que os critérios de Hollywood algum dia permitiriam. É real, é verdadeira, é uma mulher e não uma boneca construída para aquela situação.
Todos os personagens têm defeitos, o que lhes dá uma credibilidade enorme. Mikael Blomqvist é muito namoradeiro e relaciona-se com meia dúzia de mulheres ao longo de toda a narrativa, mas as cenas de sexo não foram exploradas nos filmes, surgindo qb de forma natural e espontânea, ao longo de várias horas, que não se tornam longas, embora cada filme seja bem maior do que aquilo a que estamos habituados.
Lisbeth Salander é maravilhosa e o seu comportamento chega a causar inveja num mundo cobarde e cínico, hipócrita e desleal como este em que vivemos.
A caracterização da personagem é um espanto e está de tal modo bem-feita que se continua sempre a ver a pessoa por baixo da maquilhagem, do gel e da laca. Noomi Rapace é brilhante, extraordinária e usa o olhar para nos manter à distância num trabalho de interpretação único.
Livros cinco estrelas, filmes cinco estrelas, coisa rara, raríssima. 

Do reino animal


A propósito de um jogo onde o Duarte estava a dar uma tareia à outra equipa, o treinador adversário no intervalo dizia a alguém ao telefone que iam perder, garantidamente iam perder pois havia dois bisontes que se fartavam de marcar golos e defendiam as bolas todas. Do outro lado lá lhe perguntaram quem eram e ele disse os números dos atletas.
O pai do outro bisonte era – e é – daqueles pais nervosos, que gritam por tudo e por nada e são generosos nos epítetos, e tendo ouvido igualmente a conversa, veio ter comigo pedindo apoio para lhe partir a cara. A mim, que quando a equipa do Duarte está a ganhar com grande avanço começo a bater palmas pelos outros com pena deles! Disse ao homem que naquela circunstância aquilo era um elogio, que se acalmasse e não se metesse; além disso se cada vez que ele chamava filho da puta a alguém, esse alguém lhe fosse partir a cara, ele pareceria um puzzle. Muitas vezes esquecemo-nos destes pormenorzinhos.
O que é certo é que os dois rapazes faziam uma dupla extraordinária, ambos com uma força bruta digna de um bisonte, e encheram a barriga a marcarem quase do meio campo face à altura muito acima da média e a fazerem defesas espectaculares.
Passados alguns anos, ambos têm uma altura normal para os jovens destes dias e o destaque a jogar ainda se mantém mas já não da mesma forma.
A força, essa, aumentou.
Volta e meia lembramo-nos da história e rimo-nos se bem que nos últimos tempos ele ande sério a mais da conta. Sabendo que vai ter algum dinheiro quer um carro. 
Corre a internet em busca de oportunidades, contacta stands e particulares, mostra-me sites, investiga quanto gasta este, quanto paga aquele nas portagens, quanto é o imposto de selo daquele outro.
Digo-lhe que mais do que comprar o carro, o difícil é mantê-lo, e o combustível, os impostos, a manutenção? sei lá, tanta coisa.
Quanto mais baratos mais velhos e que veja o nosso que não sendo peça de arqueologia mas gasta-nos cada vez mais.
Fazemos uma combinação: durante Março o carro é dele, a gasolina é por conta dele, assim como qualquer coisa que aconteça, seja o que for. Assim verificamos se ele consegue ter um carro, se consegue poupar para a gasolina, no mínimo. Combinado!
Assim, tenho vindo a pé para a estação todos os santos dias e volto a pé para casa – excepção para uma tarde de chuva intensa onde apanhei um táxi. São quase três quilómetros que se fazem bem e com benefícios para a saúde.
Já antes da combinação davam umas teimosias ao carro, de vez em quando não queria pegar e o Duarte contara que um dia tivera que o empurrar. Inexperiência, dissera eu.
Ontem a inexperiência apanhou-me. Não indo de todo a Lisboa e tendo eu que estar lá bem cedo, disse-me que levasse o carro para a estação e o trouxesse ao fim do dia.
Coincidindo com a greve da CP, mesmo cedo, o parque estava cheio e tive que optar por um espaço de estacionamento, vulgo o lamaçal, cheio de buracos e água e lama e porcaria e pedras enormes.
Mais que a incúria da Câmara Municipal ou do Metropolitano – não sei a quem cabe providenciar condições nestes espaços – irrita-me a estupidez natural das pessoas que não respeitam os mínimos do bom senso e deixam os carros ao Deus dará naquela favela, não tendo discernimento para ver que estacionar diante de um veículo que tem outro por trás, o impedirá de sair.
Saí do parque em bicos de botas de borracha e entrei da mesma forma, muito devagar com medo de escorregar e ficar castanha de lama da cabeça aos pés. Cheguei ao carro incólume e vi que conseguia sair sem qualquer problema. Porém, ele recusou-se a fazer fosse o que fosse, mudo como uma parede.
Liguei ao Duarte. Não chames a assistência mãe, eu vou aí com o Filipe.
Por mero acaso estava debaixo de um candeeiro e continuei a leitura que tinha interrompido ao sair do Metro. Dez minutos depois batiam no vidro … Atão Zeca? Eu chamo Zé a toda a gente, ele chama-me Zeca, a mim e mais duas ou três pessoas.
Assim, quem chegou àquela hora ao estacionamento viu dois bisontes a empurrar um carro por uma ladeira lamacenta acima comigo lá dentro. Tudo escorregava, a iluminação era mais que deficiente, os buracos cheios de água enganavam qualquer um, mas não a eles: esquerda, esquerda, só um bocadinho… agora a direito, está quase, mais um bocadinho. E no meio das orientações, veias eriçadas no pescoço fruto do esforço, mangas curtas à mostra, veio a pergunta: Tás bem Zeca?
Travei, mais pelo carinho da pergunta do que por indicação deles; respiração ofegante, foram empurrar a traseira do carro, que pegou por entre uma derrapagem na lama.
Com muitos agradecimentos, o Filipe foi para o carro dele e o Duarte veio comigo a combinar como iríamos tratar do assunto.
Que bom ter um bisonte em casa!

Asseio sobre rodas


Domingo foi dia de sobrinhos. Ele entra no meu carro, imaculado, tapetes escovados, nem um grão de pó, trabalho do Duarte que não deixa cair uma migalha.
Senta-se, olha para tudo e diz:
- Vocês são tão asseados, o nosso carro parece um aterro sanitário.
Encosto ao passeio para me poder rir à vontade. 

BEStial


Em Junho o Duarte recebeu uma carta do BES a dar os parabéns pelos seus 18 anos e a informar que devia ir actualizar a assinatura e mudar o tipo de conta pois já não é júnior. Muito bem.
Foi com os avós à filial mais perto da nossa casa e informaram-no que teria que ir à dependência bancária onde tinha aberto a conta. Sim senhor.
Foi e informaram-no que teria que voltar acompanhado do pai, segundo titular da conta. Ai, não sabem dizer tudo de uma vez?
O pai, previdente, telefona e pergunta o que é necessário. Informam que é só irem lá. Entretanto o pai decide mudar de ideias e, receoso, do que o filho fará com o dinheiro, decide cancelar a ida.
O Duarte chateia os três chateados, pede-me que interceda, conversa com o pai que muda de opinião.
Estamos em Janeiro e pai e filho têm as agendas sobrelotadas e não se entendem para escolher dia e hora de ambas as conveniências. Chega Fevereiro e lá vão, o Duarte de sorriso arreganhado. Tem de vir também a sua mãe, têm de vir os três. Porra pá!
Face a isto bem como ao facto de o Duarte ter o cartão da escola noutro banco que é simultaneamente cartão de débito e lhe dá direito a ter uma conta sem comissões, decidimos transferir o dinheiro para o outro banco e aí escolher as aplicações onde iremos investir os milhões.
Finalmente vamos os três ao banco, ele fica dono e senhor da conta e o pai dá ordens ao funcionário para fazer aplicações. Digo baixinho que não foi o que se combinou. O universo não me ouve. Pergunto das penalizações sobre eventuais mexidas no dinheiro antes dos seis meses previstos. Nenhumas, apenas não recebe os juros.
Muito bem, não entremos aqui em discussões, daqui a uns dias resolvemos o assunto. 

Saga Chinesa 2

Algures na China profunda, ao fim de uma semana e no dia antes de embarcar para Banquecoque, via Xangai, o meu cunhado recebe uma chamada telefónica. Do outro lado expressam-se com clareza? Para ele aquilo é chinês. Para ele e para qualquer outra pessoa do mundo, porque é mesmo em chinês. Passa o telefone a um dos elementos chineses da comitiva: chegou a mala!
Mais vale tarde que nunca, nunca a lavandaria do hotel fora tão utilizada com as peças que comprara de emergência.
Sugiro-lhe que dê uma de Mr. Bean e ande com a mala ao colo nas próximas deslocações que ainda o vão levar à Tailândia e à Índia.
Nunca estive tão ansiosa pela chegada de um viajante, para ouvir de viva voz estas aventuras únicas, contadas com um jeito sobrenatural, polvilhadas de palavras escolhidas a dedo por um bom conhecedor do dicionário que, não tenho qualquer dúvida, todos os comediantes de Portugal e arredores, adorariam ter nas suas equipas.

terça-feira, 5 de março de 2013

Saga chinesa


Lembro-me de aterrar em Pequim e de ter dado corda aos instintos para perceber alguma coisa. Enquanto no aeroporto de São Paulo há uma pessoa a ajudar a apanhar táxis por uma questão de organização, em Pequim é por uma questão linguística polque poucos falam inglês, os sotaques são alevezados e a falta do l é telível.
Depois de nos desembaraçarmos de todos os que nos querem levar com preços abaixo do que está estipulado, e usam carros particulares que estão em parques de estacionamento que para se alcançarem nos obrigam a andar bem, não perdemos nada e tudo correu sobre rodas se bem que as rodas por vezes fossem quadradas e é preciso dar um empurrãozinho.
Aconteceu isso mesmo quando um táxi nos quis deixar no meio de um descampado apesar dos meus esforços em explicar que não, não era ali que ficávamos, era ali, e apontava o mapa. Vá lá saber-se porquê o taxista insistia que o meu ali, era ali, naquele local. Vi-me e desejei-me para me fazer entender e como queríamos ir para o hotel que ficava ao lado da estação central, imitei um comboio: u-u, pouca-terra, pouca-terra, u-u… O rosto do homem iluminou-se, começou a conduzir e deixou-nos sorridente à porta da estação onde, sorridentes, lhe pagámos e fomos embora.
Nem quero imaginar o que será perder uma mala no aeroporto de Pequim. Principalmente se tivermos lá chegado via Varsóvia, num voo da LOT, vindos de Schiphol na Holanda e se tivermos como destino uma cidade no interior da China a não sei quantos mil quilómetros da capital e não pudermos ficar ali à espera que a maleta chegue.
Melhor que isto só se não tivermos levado bagagem de mão com os mínimos de emergência e tivermos rasgado as únicas calças que temos, as que trazemos vestidas.
Não, não sou eu que sou mázinha, nem isto é o argumento de um filme cómico, são as verdadeiras aventuras do meu cunhado na China.
Lamento que estes desastres lhe tenham acontecido mas agradeço-lhe por umas boas gargalhadas, e como ainda só passaram três dos quinze dias que ele fica por lá, aguardo novos episódios da saga chinesa.