quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Futebol e Segurança Nacional

A Selecção Nacional de Futebol dá nas vistas pelos piores motivos no mesmo dia em que a Polícia anuncia que fará uma greve.
É nestas alturas que eu gostava de ser ditadora pois já se estaria a escrever um diploma legal mais ou menos com este teor:

Para os devidos efeitos informa-se que a Selecção Nacional de Futebol se desactivou a partir de hoje, com ordenados, prémios e demais exageros dados aos jogadores e à equipa técnica a reverterem integralmente para a Polícia, sob a forma de fardamento, formação, instalações, equipamentos e tudo o que seja necessário, pois as verbas em causa permitem até decorar as esquadras com mobiliário de design com assinatura. Até novas instruções a Selecção Nacional de Futebol continuará a treinar, na persecução de objectivos mínimos, sem direito a qualquer remuneração.
Quem não quiser aceitar estes termos deve abandonar a Selecção imediatamente, lembrando-se que os polícias não abandonam os locais do crime mas antes são chamados a irem lá.
Quem considerar que tem pernas, arte e engenho para integrar a Selecção pode fazê-lo, independentemente da idade, sexo, profissão, ou do que seja, porque com toda a certeza, fará igual ou melhor figura do que o actual plantel. Já o mesmo não se pode dizer da polícia onde, sem fardas, nem equipamentos à altura, poucos sabem estar e ainda mais com a responsabilidade que lhes é atribuída.
As verbas que sobrarem – que sobram com certeza – serão equitativamente divididas por outras modalidades desportivas que também recebem automaticamente os patrocínios com contratos em vigor, até agora dados ao futebol.
Com este documento põe-se fim ao escândalo que tem vigorado, quer no mundo do futebol, quer no mundo da segurança e colocam-se os cidadãos em primeiro lugar.

1 comentário:

  1. "As verbas que sobrarem – que sobram com certeza – serão equitativamente divididas por outras modalidades desportivas"

    ... pois é, com um programa destes - de distribuição equitativa - nunca serás eleita ditadora. Isto é, se chegares a eleições, e não te fizerem "autodafé" por heresia contra a doutrina económica apostólica e arcana.

    Passa-te cada coisa pela cabeça mulher. Distribuição equitativa, ora no que te havia de dar... realmente! Daqui a pouco estamos a falar em desmandos e abusos, sendas da perdição como boas-contas, carinho pelas crianças, benevolência com os velhos, proibições dos arraiais de porradaria na consorte, etc. e tal, não?

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