quinta-feira, 31 de março de 2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
terça-feira, 29 de março de 2016
Preciso de mimo
Quem conhece a relação que tenho com a minha irmã sabe que o afastamento dela é coisa de causar dor, profunda. No final do ano lectivo muda-se ela de armas, bagagens, filhos e marido para Barcelona.
Assim que conto a novidade seja a quem for, a reacção é unânime sobre a minha sorte em poder ir a Barcelona sempre que queira e em como - de certeza, mas de certeza absoluta - passarei a ir lá imensas vezes.
Se por um lado eu não tenho situação económica que me permita ir mais longe que ao Barreiro, quanto mais a Barcelona, por outro, ainda não ouvi ou senti uma palavra sobre a minha tristeza em distanciar-me daqueles que amo profundamente.
Estou feliz, muito feliz por eles, note-se: desde logo a família ficará junta, sem as constantes viagens do meu cunhado, agora no Brasil, depois no Vietname, a seguir nos EUA, depois na África do Sul, entre muitos outros. Desde Janeiro até hoje já viajou para onze países diferentes e o facto de ficar mais sossegado irá trazer-lhe uma tranquilidade maior; os meus sobrinhos vão poder ter oportunidades que aqui não têm, aprendem outras línguas falando-as, conhecem novas pessoas, etc.
Para todos será uma nova vida que, tenho a certeza, lhes será favorável e benéfica, individualmente e como família.
Permito-me pois ter um 'ataque' de egoísmo e pensar em mim... a minha habitual solidão cresce e solidifica-se.
Bem sei que os que me dizem que Barcelona é tão perto e que agora há viagens tão baratas, falam por bem, querendo animar-me, mas a verdade é que não costumam marcar viagens e não sabem que os preços anunciados nunca são os reais e que, na verdade, não é assim tão perto. Se fosse, muitos de nós passávamos a vida a ir lá e não vamos. Porquê, se é tão perto e tão barato? O meu próprio director já me concedeu dias extra para quando eu lá for!
É bom constatar esta sintonia, em perfeita descoordenação com a minha situação económica.
Não é bom constatar que não há uma voz que se dê a ouvir em prol da minha tristeza.
Por motivos vários a vida tem-me levado por caminhos onde não passa vivalma, mas como andava de mão dada com a minha irmã e com os meus sobrinhos, sabia que não havia o perigo de passar a estrada sozinha; agora, que me dizem adeus de longe, sinto-me minguar e antevejo tempo vazio a precisar de ser preenchido. Vejo-me a planear a viagem e a desmarcá-la, como acabou de acontecer com uma estadia Erasmus que, embora tenha bolsa, mas já foi tempo de poder suportar as despesas várias que se acumulam em qualquer deslocação.
Há dias em que acordo e afasto o pensamento do início do Verão, eu que sempre o desejei ansiosamente. Há dias em que acordo e me ponho a arranjar estratagemas de defesa para quando lhes telefonar me mostrar contente e ocupada, como se nem sequer pensasse neles. Há dias em que acordo e quero acreditar que foi só um sonho, que está tudo normal. Mas não está.
Assim que conto a novidade seja a quem for, a reacção é unânime sobre a minha sorte em poder ir a Barcelona sempre que queira e em como - de certeza, mas de certeza absoluta - passarei a ir lá imensas vezes.
Se por um lado eu não tenho situação económica que me permita ir mais longe que ao Barreiro, quanto mais a Barcelona, por outro, ainda não ouvi ou senti uma palavra sobre a minha tristeza em distanciar-me daqueles que amo profundamente.
Estou feliz, muito feliz por eles, note-se: desde logo a família ficará junta, sem as constantes viagens do meu cunhado, agora no Brasil, depois no Vietname, a seguir nos EUA, depois na África do Sul, entre muitos outros. Desde Janeiro até hoje já viajou para onze países diferentes e o facto de ficar mais sossegado irá trazer-lhe uma tranquilidade maior; os meus sobrinhos vão poder ter oportunidades que aqui não têm, aprendem outras línguas falando-as, conhecem novas pessoas, etc.
Para todos será uma nova vida que, tenho a certeza, lhes será favorável e benéfica, individualmente e como família.
Permito-me pois ter um 'ataque' de egoísmo e pensar em mim... a minha habitual solidão cresce e solidifica-se.
Bem sei que os que me dizem que Barcelona é tão perto e que agora há viagens tão baratas, falam por bem, querendo animar-me, mas a verdade é que não costumam marcar viagens e não sabem que os preços anunciados nunca são os reais e que, na verdade, não é assim tão perto. Se fosse, muitos de nós passávamos a vida a ir lá e não vamos. Porquê, se é tão perto e tão barato? O meu próprio director já me concedeu dias extra para quando eu lá for!
É bom constatar esta sintonia, em perfeita descoordenação com a minha situação económica.
Não é bom constatar que não há uma voz que se dê a ouvir em prol da minha tristeza.
Por motivos vários a vida tem-me levado por caminhos onde não passa vivalma, mas como andava de mão dada com a minha irmã e com os meus sobrinhos, sabia que não havia o perigo de passar a estrada sozinha; agora, que me dizem adeus de longe, sinto-me minguar e antevejo tempo vazio a precisar de ser preenchido. Vejo-me a planear a viagem e a desmarcá-la, como acabou de acontecer com uma estadia Erasmus que, embora tenha bolsa, mas já foi tempo de poder suportar as despesas várias que se acumulam em qualquer deslocação.
Há dias em que acordo e afasto o pensamento do início do Verão, eu que sempre o desejei ansiosamente. Há dias em que acordo e me ponho a arranjar estratagemas de defesa para quando lhes telefonar me mostrar contente e ocupada, como se nem sequer pensasse neles. Há dias em que acordo e quero acreditar que foi só um sonho, que está tudo normal. Mas não está.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Da suposta amizade, da minha burrice e de um farol apagado
Face à minha incapacidade financeira de acompanhar uns supostos amigos em saídas e jantares, uma suposta amiga disse-me um dia que era uma sorte eu ter muita roupa para passar a ferro, pois assim tinha com que me entreter.
Em tempos anteriores, quando o ordenado dava para comprar livros, mantive uma relação de amizade, que acreditei ser verdadeira mas se veio a verificar ser antecedida de suposta, e com diferente cavalheira da que me aconselhava a fazer a ménage.
Nunca dava um passo sem que gerisse a conta bancária para que ela me pudesse acompanhar. Conhecendo-lhe eu a situação precária, antes a afastava das lidas rotineiras e proporcionava-lhe saídas, almoços e jantares, tudo o que me parecesse desangustiá-la. Fomos de férias, passeámos nos algarves, nos alentejos, nos nortes e nos centros, cresceu a minha família com aquela presença, que vivia nos meus planos de estar, de ir ou ficar, de rir e de chorar, largava eu tudo para a atender nos mais pequenos desejos, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, parecendo casamento feliz.
Até que a minha situação financeira entrou em colapso. Primeiro não percebi os motivos do afastamento, que me causaram lágrimas de dor, até que alguém me chamou a atenção para o cruzamento da informação, para o conjunto, matematicamente falando.
Não era a primeira vez que alguém se afastava de mim, mas como cometi o erro de acreditar que a amizade era verdadeira, doeu-me como se me arrancassem um bocado quando conclui que dois e dois são quatro e que o nada dos noves fora, tinha motivado a minha dor.
Aos poucos e arrastando-me lá me consegui equilibrar, até porque existia um farol na minha vida, exemplo para todas as virtudes exemplificáveis, obra de arte reconhecida, pedra dura lisa ou afiada, conforme a necessidade e o desafio.
Este farol estava para os meus amigos como os filhos estão para as coisas que gostamos. Quando alguém pergunta o que mais gostamos no mundo, acho ridículo que se responda os filhos! O meu nem entra nesta contabilidade, está tão acima de tudo que não tem comparação, é outro universo, incomparável. Da mesma forma, um farol não se compara com qualquer casa, leia-se, amizade.
É altivo, ilumina sempre, é forte, vem do antes e permanece, sabe tudo, viu tudo, é determinado contra as tempestades e, como o de Alexandria, é eterno.
Pensava eu.
Podiam passar-se semanas sem que visse a luz ou ouvisse a buzina do farol, mas acabava sempre por dar sinal de vida, por entre o nevoeiro, aproximava-se em passos seguros e firmes, como quem garante segurança; não havia distância nem assunto afastadores, não havia espuma de mal-entendidos, não havia vagas que partissem o cordame que nos ligava. A mesma frase de início de conversa fazia-me sempre rir... velhice e cataratas mencionadas por alguém que eu sentia imortal.
Assim se passaram anos, como se fossem vidas. Até um dia em que o farol se apagou, deixou de me iluminar, sem perceber que quem nos leva a caminhar na escuridão perpetra um acto de crueldade.
E assim me considero vacinada contra a amizade, palavra que posso expressar por escrito ou verbalmente sozinha mas que, interiormente, será sempre adjectivada com suposta.
É claro que respeito a decisão, se não o fizesse estaria a corromper o meu próprio sentimento de amizade. Para mim o verbo mais associado à amizade é 'estar', estar presente, estar disponível, estar com alguém, lado a lado ou à distância, estar no pensamento, acima de tudo. Resta um vazio frio quando não precisam que estejamos. Alguma vez teriam precisado? Não.
Em tempos anteriores, quando o ordenado dava para comprar livros, mantive uma relação de amizade, que acreditei ser verdadeira mas se veio a verificar ser antecedida de suposta, e com diferente cavalheira da que me aconselhava a fazer a ménage.
Nunca dava um passo sem que gerisse a conta bancária para que ela me pudesse acompanhar. Conhecendo-lhe eu a situação precária, antes a afastava das lidas rotineiras e proporcionava-lhe saídas, almoços e jantares, tudo o que me parecesse desangustiá-la. Fomos de férias, passeámos nos algarves, nos alentejos, nos nortes e nos centros, cresceu a minha família com aquela presença, que vivia nos meus planos de estar, de ir ou ficar, de rir e de chorar, largava eu tudo para a atender nos mais pequenos desejos, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, parecendo casamento feliz.
Até que a minha situação financeira entrou em colapso. Primeiro não percebi os motivos do afastamento, que me causaram lágrimas de dor, até que alguém me chamou a atenção para o cruzamento da informação, para o conjunto, matematicamente falando.
Não era a primeira vez que alguém se afastava de mim, mas como cometi o erro de acreditar que a amizade era verdadeira, doeu-me como se me arrancassem um bocado quando conclui que dois e dois são quatro e que o nada dos noves fora, tinha motivado a minha dor.
Aos poucos e arrastando-me lá me consegui equilibrar, até porque existia um farol na minha vida, exemplo para todas as virtudes exemplificáveis, obra de arte reconhecida, pedra dura lisa ou afiada, conforme a necessidade e o desafio.
Este farol estava para os meus amigos como os filhos estão para as coisas que gostamos. Quando alguém pergunta o que mais gostamos no mundo, acho ridículo que se responda os filhos! O meu nem entra nesta contabilidade, está tão acima de tudo que não tem comparação, é outro universo, incomparável. Da mesma forma, um farol não se compara com qualquer casa, leia-se, amizade.
É altivo, ilumina sempre, é forte, vem do antes e permanece, sabe tudo, viu tudo, é determinado contra as tempestades e, como o de Alexandria, é eterno.
Pensava eu.
Podiam passar-se semanas sem que visse a luz ou ouvisse a buzina do farol, mas acabava sempre por dar sinal de vida, por entre o nevoeiro, aproximava-se em passos seguros e firmes, como quem garante segurança; não havia distância nem assunto afastadores, não havia espuma de mal-entendidos, não havia vagas que partissem o cordame que nos ligava. A mesma frase de início de conversa fazia-me sempre rir... velhice e cataratas mencionadas por alguém que eu sentia imortal.
Assim se passaram anos, como se fossem vidas. Até um dia em que o farol se apagou, deixou de me iluminar, sem perceber que quem nos leva a caminhar na escuridão perpetra um acto de crueldade.
E assim me considero vacinada contra a amizade, palavra que posso expressar por escrito ou verbalmente sozinha mas que, interiormente, será sempre adjectivada com suposta.
É claro que respeito a decisão, se não o fizesse estaria a corromper o meu próprio sentimento de amizade. Para mim o verbo mais associado à amizade é 'estar', estar presente, estar disponível, estar com alguém, lado a lado ou à distância, estar no pensamento, acima de tudo. Resta um vazio frio quando não precisam que estejamos. Alguma vez teriam precisado? Não.
História de um sofá e de uma piscina
Desde o início do Verão comecei a ir diariamente à piscina. Foi fácil viciar-me. A cada semana aumentei o tempo dentro de água, mais cinco minutos, mais cinco minutos, e actualmente nado uma hora seguida em menos de nada.
Dois fatos de banho, duas toucas, óculos - graduados! - tampões para os ouvidos, toda uma parafernália de objectos que passaram a ser de culto.
Sete da manhã, a porta é aberta por funcionários ensonados e eu entro para sair quase duas horas depois, bem disposta e pronta para qualquer stress do dia.
Quando não consigo ir de manhã, por qualquer motivo, vou ao fim do dia e estou no jacuzzi quando, às 21.30, ouço o altifalante a informar que temos trinta minutos para deixar as instalações. Duche a correr e entro em casa a cheirar a cloro, coisa com a qual a Tróia não se importa, os saltos são sempre de alegria genuína, os latidos são música.
No princípio de Dezembro apareceu-me uma alergia nas mãos que me dava ar de leprosa. Usei luvas, fui ao médico, e depois de várias pomadas descobri que era alergia a um sofá novo comprado com imenso esforço e muito poupar. Uma pessoa não pode ter nada novo...
O que mais me custou foi ter que deixar de nadar durante mais de um mês, recomendação compreensível do médico, enquanto a cortisona não fazia efeito total.
Há cerca de uma semana recomecei a natação. Regressou a boa disposição, os dias passaram a ser mais leves, tudo melhorou. Até que a alergia voltou.
Conclusão, afinal posso sentar-me no sofá mas não posso ir à piscina, pois a alergia é aos produtos da água e não ao textil.
Quando se tem azar, é assim, não se pode gostar de nada.
Dois fatos de banho, duas toucas, óculos - graduados! - tampões para os ouvidos, toda uma parafernália de objectos que passaram a ser de culto.
Sete da manhã, a porta é aberta por funcionários ensonados e eu entro para sair quase duas horas depois, bem disposta e pronta para qualquer stress do dia.
Quando não consigo ir de manhã, por qualquer motivo, vou ao fim do dia e estou no jacuzzi quando, às 21.30, ouço o altifalante a informar que temos trinta minutos para deixar as instalações. Duche a correr e entro em casa a cheirar a cloro, coisa com a qual a Tróia não se importa, os saltos são sempre de alegria genuína, os latidos são música.
No princípio de Dezembro apareceu-me uma alergia nas mãos que me dava ar de leprosa. Usei luvas, fui ao médico, e depois de várias pomadas descobri que era alergia a um sofá novo comprado com imenso esforço e muito poupar. Uma pessoa não pode ter nada novo...
O que mais me custou foi ter que deixar de nadar durante mais de um mês, recomendação compreensível do médico, enquanto a cortisona não fazia efeito total.
Há cerca de uma semana recomecei a natação. Regressou a boa disposição, os dias passaram a ser mais leves, tudo melhorou. Até que a alergia voltou.
Conclusão, afinal posso sentar-me no sofá mas não posso ir à piscina, pois a alergia é aos produtos da água e não ao textil.
Quando se tem azar, é assim, não se pode gostar de nada.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Departamento de Coordenação de Defesa Planetária
A NASA criou esta secção para identificar e analisar asteróides, cometas e outros corpos que passem nas redondezas da Terra e as notícias mostram uma imagem do filme Armagedon, explicando que brevemente as nossas defesas passam por procedimentos do género dos utilizados naquela película.
Não sou grande fã de asteróides mas, tal como a NASA, adoro um bom ET e vejo sempre nestas notícas qualquer coisa encapotada. Teoria da conspiração? Não, esperança!
Imagino que a procura desesperada de água pelos planetas não seja para descobrir que afinal, aqui tão perto, também houve dinossauros, que morreram não se sabe como, e australopitecos, homo sapiens e consumidores de tecnologia como nós, até porque é absolutamente improvável que a evolução noutro local fosse igual à nossa, logo, que outros seres precisem de água; a procura de água é para nós próprios, no futuro, um futuro próximo.
Porque tem a malta de fora de ser igual a nós? Porque têm os ET's de falar, por exemplo?
Em Encontros Imediatos do Terceiro Grau - que me fez vibrar - comunicavam através da música, mas depois tinham cabeça, braços e pernas como nós. Em Predador, os senhores eram invisíveis, mas tinham ar de samurais.
Temos uma imagem divina dos ET's, ou seja imaginamo-los à nossa imagem e não como por exemplo uma bola de cotão que se vai formando, aumentando, dividindo e multiplicando, ou como formas de energia invisível aos nossos olhos.
Em Homens de Negro encontramos uma panóplia de seres que parecem saídos de uma caixa de gomas e que andam por aqui misturados connosco, tal como os protagonistas de diversas séries televisivas actualmente em ecrãn.
Com raríssimas excepções, competimos com todos e eles competem connosco e aqui, neste enorme detalhe, é que gostava de ver qualquer coisa diferente.
Acredito piamente que não estamos sozinhos e continuo a esperar por um encontro com alguém muito especial. Ingenuidade? Não, esperança.
Não sou grande fã de asteróides mas, tal como a NASA, adoro um bom ET e vejo sempre nestas notícas qualquer coisa encapotada. Teoria da conspiração? Não, esperança!
Imagino que a procura desesperada de água pelos planetas não seja para descobrir que afinal, aqui tão perto, também houve dinossauros, que morreram não se sabe como, e australopitecos, homo sapiens e consumidores de tecnologia como nós, até porque é absolutamente improvável que a evolução noutro local fosse igual à nossa, logo, que outros seres precisem de água; a procura de água é para nós próprios, no futuro, um futuro próximo.
Porque tem a malta de fora de ser igual a nós? Porque têm os ET's de falar, por exemplo?
Em Encontros Imediatos do Terceiro Grau - que me fez vibrar - comunicavam através da música, mas depois tinham cabeça, braços e pernas como nós. Em Predador, os senhores eram invisíveis, mas tinham ar de samurais.
Temos uma imagem divina dos ET's, ou seja imaginamo-los à nossa imagem e não como por exemplo uma bola de cotão que se vai formando, aumentando, dividindo e multiplicando, ou como formas de energia invisível aos nossos olhos.
Em Homens de Negro encontramos uma panóplia de seres que parecem saídos de uma caixa de gomas e que andam por aqui misturados connosco, tal como os protagonistas de diversas séries televisivas actualmente em ecrãn.
Com raríssimas excepções, competimos com todos e eles competem connosco e aqui, neste enorme detalhe, é que gostava de ver qualquer coisa diferente.
Acredito piamente que não estamos sozinhos e continuo a esperar por um encontro com alguém muito especial. Ingenuidade? Não, esperança.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Medidas de Excelência - Encerramento do Serviço de Urgência Básica de Coruche
A 18 de Novembro de 2015 a Câmara de Coruche é
galardoada pelo Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis: “O prémio tem como objetivo dar visibilidade às autarquias comboas práticas. Para a escolha foram considerados vários itens: o apoio àmaternidade e paternidade; apoio às famílias com necessidades especiais;serviços básicos; educação e formação; habitação e urbanismo; transportes;saúde; cultura, desporto, lazer e tempo livre; cooperação e participaçãosocial; Facilitadores e medidas de conciliação entre trabalho e família” .
A 20 de Novembro de 2015 publica-se
o despacho 13.427 do Ministério da Saúde no Diário da República onde se
elimina o Serviço de Urgência Básica do Centro de Saúde de Coruche. Diz O Mirante que “Na região continuam afuncionar as urgências básicas dos hospitais de Tomar e Torres Novas, queintegram o Centro Hospitalar do Médio Tejo”.
Ai… Médio Tejo… como a
Terra Média, dos Hobbits… que lindo… e a que distância ficam essas urgências?
Tomar
|
Torres Novas
|
Santarém
|
|
Coruche
|
108
|
85
|
43
|
Azervadinha
|
114
|
92
|
49
|
Biscainho
|
118
|
96
|
53
|
Branca
|
127
|
105
|
63
|
Couço
|
115
|
111
|
70
|
Erra
|
91
|
94
|
51
|
Fajarda
|
110
|
88
|
45
|
Lamarosa
|
80
|
82
|
55
|
Montinho dos Pegos
|
108
|
85
|
43
|
Rebocho
|
118
|
96
|
53
|
Santana do Mato
|
130
|
108
|
65
|
Santo Antonino
|
107
|
85
|
42
|
Se à primeira vista parecem um
bocado longe, vejamos como é que, afinal, isto é uma medida é de excelência,
pois contempla possibilidades paralelas que talvez escapem a alguns, se não
vejamos:
Fazendo contas aos alunos do
Agrupamento de Escolas de Coruche temos a Escola Secundária de Coruche (271 alunos 3.º CEB /318 alunos Secundário), Escola Básica 2, 3Drº Armando Lizardo (330 alunos 2.º CEB / 180 alunos 3.º CEB),EBI/JI do Couço (46 alunos JI / 65 alunos1.º CEB /44 alunos 2.º CEB), Escola Básica de Coruche (38 alunos JI /284 alunos 1.º CEB),EB1 Montinhos dos Pegos (24 alunos), EB1 Biscainho (30 alunos),EB1 Branca (43 alunos), EB1 Erra (36 alunos), EB1 Fajarda (49 alunos),EB1 Lamarosa (44 alunos), EB1 Rebocho (28 alunos), EB1 Santana do Mato (29 alunos),JI Biscainho (16 alunos), JI da Branca (25 alunos), JI da Erra(16 alunos), JI Lamarosa (13 alunos), JI Santana do Mato (25 alunos), JI Santo Antonino(40 alunos),JI Fajarda (21 alunos), Creche Municipal da Azervadinha(22 crianças),Creche Municipal da Quinta do Lago (100 crianças), Escola Profissional de Coruche (210 Alunos), num total de 2303futuros cidadãos, aos quais se devem acrescentar as instituições privadas,nomeadamente o Lar de São José (25 creche / 50 J. Infância / 99 A.T.L.) e o Centro Materno Infantil do Couço(15 creche / 35J. Infância), num total de 2477.
Falamos dos alunos das escolas porque esta garotada tem a
mania de se aleijar, de cair, de ficarem doentes de repente, essas coisas, e vão agradecer penhoradamente a quem se lembrou de acabar com o serviço
de urgência básica de Coruche pois desde essa altura abriram-se-lhes novos
horizontes: passam a ir à urgência a outros locais, como Torres Novas, Tomar ou
Santarém. De que outra forma poderiam as imberbes crianças conhecer Santarém, a
capital do gótico, o belíssimo Convento de Tomar ou o labirinto de galerias subterrâneas
conhecidas como Grutas de Lapas, em Torres Novas? Tomar tem os seus
encantos, com o rio Nabão, praça de touros e tudo, e come-se muito bem em Torres
Novas, ouvi dizer. Deixa de ser necessário as escolas perderem tempo com a organização
de visitas de estudo pois estas fazem-se comodamente a bordo de uma ambulância
e ainda por cima, com um elemento surpresa, pois não se sabe para onde nos
levam.
Com certeza
que a medida de encerrar as urgências básicas em Coruche foi tomada tendo em
consideração estes aspectos, ou seja, foi um dois em um. Além disso, como as
crianças não vão à urgência sozinhas, também os professores, educadores,
auxiliares e mais uma fila de pessoas terá a magnífica oportunidade de fazer quilómetros
e quilómetros, não perdidos, mas em missão dupla de acompanhamento e
conhecimento das redondezas. Os pais farão os mesmos percursos, permanecendo
ausentes do seu local de trabalho muito mais tempo, gastando imenso combustível,
perdendo muitas horas, aumentando os trajectos de angústia e preocupação, mas
que caramba, estão a passear também, isso não conta? Em vez de faltarem ao
trabalho por uma hora ou duas, uma manhã ou tarde, vá lá, como acontecia com a urgência
em Coruche, vão poder faltar dias inteiros! É uma oportunidade a nível cultural
sem precedentes!
É claro
que a Câmara nunca mais conseguirá outro galardão como o que lhe foi agora atribuído,
porque aquele detalhezinho da saúde e da facilitação das medidas de conciliação entre trabalho e família, perdem-se
pelo caminho, mas isso que interessa?
Por outro
lado, em Torres Novas, Tomar, Santarém, Abrantes ou Vila Franca de Xira, estes
dois últimos apontados como tendo urgência médico-cirúrgica, há pouquíssimas
pessoas e o objectivo é também dinamizar as urgências por lá, pois parece que
estão um bocado paradas, coitaditos… Não
é nosso dever ajudar os outros? Então, cooperemos! Vamos aplaudir esta medida
que proporciona ainda, quando as deslocações forem nocturnas, uma melhor
apreciação da chuva de Perseidas, e aceitemos com um abraço fraternal os
desafios que se nos colocam quando no distrito de Santarém as chuvas deixam as
estradas submersas e intransitáveis…
Pensemos
nas crianças outra vez e tomemos a seguinte reflexão: não nos queixamos que estamos
tempo demais longe delas? Ora os percursos podem também ser aproveitados para
se fazerem os trabalhos de casa! Há que criar sinergias!
As áreas empresariais com as Zonas Industriais
do Monte da Barca, do Couço e da Lamarosa também ficam muito mais bem servidas
com a urgência básica de saúde a uma boa centena de quilómetros, o que lhes dá
a possibilidade de fazerem um trabalho comparado com outras zonas industriais;
por outro lado, não nos podemos esquecer do Desporto, que se pretende
desenvolver e consolidar junto dos coruchenses e a bem da saúde. Como esta
malta também tem tendência aos aleijanços e o facto de existir um serviço de
urgência era encarado como uma mais-valia na organização de eventos, agora vão
pedalar para Tomar, corram em Torres Novas e organizem actividades de rio em Santarém,
pois é para lá que vão em caso de necessidade, deixando Coruche mais desafogada
e tranquila, pois já se sabe que isto das corridas causa stress, e é preciso é
calma! Continuo a dizer, só há motivos para aplaudir esta iniciativa.
Se fosse
eu a mandar ia mais longe: os coruchenses iam ao serviço de saúde a Évora,
património da Humanidade, aos Açores – que bela oportunidade de andar de avião!
– e a Vila Nova de Gaia, que o Porto visto dali é lindo e maravilhoso. Mas não
se pode ter tudo, há que nos conter. Ainda assim, anseio por medidas mais
abrangentes, como o encerramento dos cemitérios: para tanto há que perguntar às
pessoas onde gostariam de ser enterradas, fazendo uma lista de preferências e
na altura enterram-se por esse Portugal fora de acordo com os locais eleitos,
que transbordariam de flores. Se assim for, crescem as romarias a sítios que
nunca viram dois carros a cruzarem-se e faz-se jus ao nome de Portugal como um
jardim à beira-mar plantado.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Nova vida
Voltei aos bancos da escola.
Estou feliz porque regresso ao que mais gosto de fazer, estudar, e consequentemente cada vez tenho menos tempo para escrever aqui.
Há dias em que penso que vou estourar com tanta leitura, tanto afazer, tanto trabalho, dividida e multiplicada em inúmeras tarefas. Mas como diz o adágio, quem corre por gosto não cansa e lá continuo, depois de um jantar não antes das onze da noite, agarrada a papéis ou ao computador, sempre com imensa pena de não ter com quem partilhar as dúvidas, existênciais ou outras, com quem discutir assuntos fora de horas nesta nova fase, nova área de estudo, novos autores, novas perspectivas, a mesma sensação de preenchimento por ter voltado a estudar de forma sistemática, empenhada.
Sou febril quando quero uma coisa e fiquei em extâse quando fui aceite; agora é empenhar-me mais ainda, não dispersar e aplicar-me.
Considerei fazer esta nota como explicação pela minha ausência e agradecimento pelas mensagens simpáticas que recebi numa caixa de correio que nem sempre vejo.
Voltarei a este espaço espaçadamente, mas não diariamente.
Estou feliz porque regresso ao que mais gosto de fazer, estudar, e consequentemente cada vez tenho menos tempo para escrever aqui.
Há dias em que penso que vou estourar com tanta leitura, tanto afazer, tanto trabalho, dividida e multiplicada em inúmeras tarefas. Mas como diz o adágio, quem corre por gosto não cansa e lá continuo, depois de um jantar não antes das onze da noite, agarrada a papéis ou ao computador, sempre com imensa pena de não ter com quem partilhar as dúvidas, existênciais ou outras, com quem discutir assuntos fora de horas nesta nova fase, nova área de estudo, novos autores, novas perspectivas, a mesma sensação de preenchimento por ter voltado a estudar de forma sistemática, empenhada.
Sou febril quando quero uma coisa e fiquei em extâse quando fui aceite; agora é empenhar-me mais ainda, não dispersar e aplicar-me.
Considerei fazer esta nota como explicação pela minha ausência e agradecimento pelas mensagens simpáticas que recebi numa caixa de correio que nem sempre vejo.
Voltarei a este espaço espaçadamente, mas não diariamente.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Sexta-feira 13
Os significados de sexta-feira 13 como sinónimo de azar e
infortúnio são do domínio cristão (ocidental?), mas do conhecimento geral.
Na passada sexta-feira, 13 de Novembro, houve como que uma
conjugação astral perfeita, daquelas que dificilmente se repetem: a) sexta-feira,
dia de entretenimento por natureza; b) dia 13, data associada ao azar; c) Jogo
de futebol, entre os dois grandes da Europa com a assistência de responsáveis
máximos franceses e alemães; d) concerto rock de banda americana, que reuniria
1500 pessoas; e) tudo aconteceria no coração da Europa, Paris.
A eleição de uma sexta-feira 13 proporciona a activação eterna do
medo espontâneo, irracional, imediato, a cada nova sexta-feira 13, que
carregará para sempre a lembrança do acontecido, como se solidificasse o azar
que se lhe associa. Usou-se uma irracionalidade cristã para dar corpo e
perpetuar o medo.
A mensagem passa por esclarecer que a Europa pode abrir as portas
aos sírios, mas o EI tem o controlo total, e pode agir onde bem lhe apetecer. E
o ‘onde’ foi geograficamente em Paris, mas política, económica e socialmente
atingiu-se o mundo inteiro. Outra vez. Ao contrário do que aconteceu no Charlie
Hebdo o alvo não era dirigido em particular, era múltiplo.
A França está em guerra porque geograficamente o ataque ocorreu no
seu território, mas há vítimas de diversas nacionalidades, num semear daquilo
que não custa a germinar: ódio e raiva por parte da sociedade que gera ondas de
solidariedade que partilham o mesmo acto, rezar, uma atitude virada para um céu
cujos habitantes parecem divertir-se e cuja eficácia parece não existir.
Por outro lado, o ódio e raivas sociais, a partir de agora têm um
novo rosto, o dos milhares de refugiados que assistem à Europa anfitriã (a bem
ou a mal) a atacar militarmente e também os ainda imensos civis, seus
familiares, residentes na Síria. O que vai falar mais alto, o alívio sobre o
extermínio, ou melhor, a tentativa de extermínio de campos do EI, ou a
aniquilação das suas famílias? Será esta vista como um dano colateral
inevitável, sobre o qual nada havia a fazer? Quando fugiram foi um voltar de
costas definitivo ou haverá ainda muitos a correr o risco de se transformarem
em sal?
A França não pode olhar a meios, tem que pagar na mesma moeda, tem
que correr o risco de matar civis, sem pestanejar, como represália de ter sido
alvo exactamente do mesmo.
O EI consegue perfurar até à aorta da Europa e agir
sanguinolentamente e o mundo ocidental, artilhado com tudo o que emana imparavelmente
da tecnologia, não consegue paralisar o EI, com embaraços gigantescos como o de
terem libertado Abdeslam Salah depois de o terem interrogado?
Não há uma grelha, um padrão, para, na sequência das prisões, se
determinarem ligações e contactos? 48 horas depois dos ataques as autoridades
mostram os aviões a levantarem, com destino a Raqqa, numa afirmação de
determinação e força. As imagens oficiais são simbólicas e, natural e
garantidamente planeadas, num momento da vida da humanidade onde nada se faz
sem um pendor publicista, mesmo no meio do caos. É preciso que o povo veja uma
acção firme, que a opinião pública veja, assista, seja testemunha da não
passividade do seu governo.
Pode-se e deve-se ter receio de jogar com as mesmas armas? Que eficácia
tem a aplicação dos mesmos valores da Europa, as mesmas preocupações, a quem
nem as reconhece, como se falássemos línguas diferentes, não só estrangeiras,
mas totalmente incompatíveis?
Os actos de terrorismo unem os ocidentais através da oração, mas
fá-los olhar para todos e para cada um como um potencial terrorista. Assim, a
divisão cresce à medida que a união do EI cresce também.
O ataque de hoje é feito pela França, mas quando o EI ataca fá-lo
como se fosse um ataque pessoal, a cada um, face aos valores ocidentais que
ligam as pessoas, como a tão francesa fraternidade.
O EI planeia profissionalmente, com calma, ponderação e em total
sigilo, enquanto o ocidente partilha na internet todas as suas intenções antes
de as realizar. Partilha-se também a radicalização do ocidente contra os
árabes. O plano do EI está a funcionar na perfeição também na perspectiva de
dividir o ocidente.
Fecham-se as fronteiras como um regresso a um certo medievalismo
onde as fortalezas proliferaram, de portas fechadas e sobranceiras sobre os
estrangeiros, todos os estrangeiros pois todos são suspeitos, por mais que se
diga que não.
Muitos muçulmanos afirmam que o Islão não é isto. Não terá sido,
mas agora é, pois é a cara visível que toca e que ofende.
A multiplicidade de dimensões onde é preciso fazer vigilância
passa irremediavelmente pelo ocidente: as redes sociais são estradas sem
portagens onde o radicalismo acelera a fundo. Ao longo de incontáveis anos, os elementos
do EI aprenderam línguas, como o inglês e outras dos países onde se têm
radicado e onde são recrutados; por seu lado, os ocidentais não falam, escrevem
e nem sabem ler árabe, causando um abismo na localização dos planeamentos dos
ataques, que podem estar a ser gizados ao lado de cada um de nós, que ninguém
se apercebe.
Como afirma Sajian Gohel, director de segurança internacional da
Fundação Ásia-Pacífico, a resposta da França é a resposta esperada, mas será a
mais acertada, quando o EI tem estruturas que aguardam esta resposta? Se o objectivo
é destruir o EI, a resposta é não. É necessário um ataque terrestre, vila a
vila, aldeia a aldeia, desmantelando tudo, sem deixar viver a dúvida.
Por parte do EI, atacado o coração, aguardam-se novos ataques a órgãos
fundamentais da Europa, sendo essencial não dormir na forma e estar preparado
para as novas démarches de quem quer redesenhar o Médio Oriente.
Do lado político europeu avança-se para a 3ª Guerra Mundial. A França
abre caminho, qual forcado da cara, mas os aliados enfileiram-se, todos a
quererem agarrar o touro pelos cornos.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Arroz de pimenta
Não, não é uma receita, são apenas duas palavras usadas por Jorge Coimbra para substituir outras, meias asneirentas, no livro É assim não é, que acabo de ler. Jorge Coimbra é um gozão do caraças, e até devia dizer do ca**lho, porque o livro tem o sotaque do norte, com saca da escola e quarto de banho.
Escrevo e vejo a junção meias asneirentas e foge-me o pensamento para peúgas desbocadas, como se houvesse um PBX na minha cabeça que fez as ligações erradas. Bom, bate certo com o conteúdo do livro, cujo autor tem uma orquestra de... gente, sejamos generosos, a incliná-lo para certos pensamentos, certas musicalidades, certas coisas.
Visivelmente biográfico, o livro transporta-nos para tempos e terras longínquos, sempre com uma grande carga irónica e fazendo-nos frequentemente pensar que é connosco que fala, mera sobranceria nossa - ou não será? - e, num golpe rápido, estamos de volta ao hoje, esse hoje intemporal, e com o eventual pronome possessivo, nosso. O nosso hoje, o hoje de qualquer um de nós, que nos faz a soma de todos os dias que já vivemos, desde a altura em que nos limpavam o rabo até hoje, quando caminhamos para que nos limpem o rabo novamente. Isto se tivermos sorte.
Há toda uma viagem ao passado de há 60 anos, a ontem, ao momento presente, aos dias quentes do pós Abril de 74, ao trabalho invisível e nunca reconhecido da alfabetização - e que a mim me toca imenso, neta de um excepcional homem que aprendeu a ler e escrever em adulto - e essa viagem é feita pelos olhos do protagonista/autor que não se limita a espreitar lá para trás, mas antes segura a nossa mão e leva-nos, menino de escola, contando como foi, num caminho nunca cinzento, até porque muita da narrativa se passa em África, África que era branca e negra, mas nunca África mármore, porque as misturas tinham limites perfeitamente estabelecidos, e desses limites nos fala o livro, de um racismo que não existia pela simples razão que não era praticado por pretos e sim por brancos, logo, estava tudo bem...
Neste exercício de exorcismo com o passado, Jorge Coimbra partilha ocasionalmente a existência de um amor que o arrebatou, mais que a bengala que usa como se já fizesse parte dele, e que mantém. Quando fala da aluna, da jovem que se transformou em mulher, com quem casou, percebe-se um suavizar do toque das teclas que foram usadas para digitar as palavras, como se procurasse advérbios, cuja pronunciação estica o tempo, e faz durar mais o sentimento. Assim, não é com ternura, mas sim ternamente, que refere, sussurrando, os olhos, o cabelo ou a inteligência da mulher em causa. É uma ária de ópera que, a mim, me encanta por conseguir ser tão entoada, espraiando-se nos cinco sentidos.
Adoro provas de amor, adoro...
E se o conteúdo é um mega carrossel entre sítios tão díspares como os canais da cabeça do autor, Moçambique ou o Porto, que nos faz rir, reflectir, arrepender e viver, já o livro em si podia ter sido mais bem cuidado por parte da Chiado Editora.
Não percebo porque é que se continuam a cortar palavras quando temos a possibilidade técnica, ou tecnológica, ou como se queira, de construirmos linhas seguidas, sem tracinhos que dificultam e cortam a leitura, principalmente em casos como ca-
minhos-de-ferro.
Não podiam os caminhos ter seguido juntos? Tiveram que se cortar para multiplicar hífenes... vou deixar uma sugestão, e que tal caminhos tracinho de tracinho ferro? Ou ainda, português tracinho tracinho francês... sim, tracinho tracinho, porque estão lá dois: português--fran-
cês. Ou ainda um desajustado desajus-ta-
damente.
A revisora - na ficha técnica identificada como Margarida Maria - não devia confundir Ah com Ha, devia chapelizar os silêncios, não devia ter deixado passar um ? em lugar de um é, devia ter visto que o lucro da Tourada é aos milhões, devia ter finalizado cada nota de rodapé com o respectivo sinal de ponto final, que devia ter poupado na contracapa que termina inexplicavelmente com um duplo ponto final, ou será com umas reticências mancas?
Por outro lado ainda, nada me impede de ir passear com uma camisa de dormir ou ir ao cinema de fato de mergulho. Nada me impede, mas vou ser alvo de olhares, risinhos e dedos apontados. Acontece o mesmo com a paginação que deixa artigos dependurados, palavras de uma só letra que ali se vê, sozinha, perdida e que nos faz perder a nós ainda mais quando aparece imediatamente a seguir a um ponto final...
Também inexplicavelmente o livro não se encontra à venda. Na Fnac informam que terá que ser encomendado ao editor, com um tempo de espera de uma a duas semanas, e com um preço de 14€, mais caro que na Wook, que com o desconto fica em 12,60€. Ora, uma a duas semanas é o tempo em que me chegam encomendas via Amazon, um pouco de todo o mundo, uma a duas semanas é tempo mais que suficiente para que eu pondere se afinal quero encomendar um livro ou uma estátua, uma a duas semanas é muito tempo, uma a duas semanas é desencorajante, principalmente num livro excelente para levar de férias. Os editores não deviam defender os seus autores...? Não me parece que neste caso isso aconteça.
E merecia, merecia mesmo muito.
Escrevo e vejo a junção meias asneirentas e foge-me o pensamento para peúgas desbocadas, como se houvesse um PBX na minha cabeça que fez as ligações erradas. Bom, bate certo com o conteúdo do livro, cujo autor tem uma orquestra de... gente, sejamos generosos, a incliná-lo para certos pensamentos, certas musicalidades, certas coisas.
Visivelmente biográfico, o livro transporta-nos para tempos e terras longínquos, sempre com uma grande carga irónica e fazendo-nos frequentemente pensar que é connosco que fala, mera sobranceria nossa - ou não será? - e, num golpe rápido, estamos de volta ao hoje, esse hoje intemporal, e com o eventual pronome possessivo, nosso. O nosso hoje, o hoje de qualquer um de nós, que nos faz a soma de todos os dias que já vivemos, desde a altura em que nos limpavam o rabo até hoje, quando caminhamos para que nos limpem o rabo novamente. Isto se tivermos sorte.
Há toda uma viagem ao passado de há 60 anos, a ontem, ao momento presente, aos dias quentes do pós Abril de 74, ao trabalho invisível e nunca reconhecido da alfabetização - e que a mim me toca imenso, neta de um excepcional homem que aprendeu a ler e escrever em adulto - e essa viagem é feita pelos olhos do protagonista/autor que não se limita a espreitar lá para trás, mas antes segura a nossa mão e leva-nos, menino de escola, contando como foi, num caminho nunca cinzento, até porque muita da narrativa se passa em África, África que era branca e negra, mas nunca África mármore, porque as misturas tinham limites perfeitamente estabelecidos, e desses limites nos fala o livro, de um racismo que não existia pela simples razão que não era praticado por pretos e sim por brancos, logo, estava tudo bem...
Neste exercício de exorcismo com o passado, Jorge Coimbra partilha ocasionalmente a existência de um amor que o arrebatou, mais que a bengala que usa como se já fizesse parte dele, e que mantém. Quando fala da aluna, da jovem que se transformou em mulher, com quem casou, percebe-se um suavizar do toque das teclas que foram usadas para digitar as palavras, como se procurasse advérbios, cuja pronunciação estica o tempo, e faz durar mais o sentimento. Assim, não é com ternura, mas sim ternamente, que refere, sussurrando, os olhos, o cabelo ou a inteligência da mulher em causa. É uma ária de ópera que, a mim, me encanta por conseguir ser tão entoada, espraiando-se nos cinco sentidos.
Adoro provas de amor, adoro...
E se o conteúdo é um mega carrossel entre sítios tão díspares como os canais da cabeça do autor, Moçambique ou o Porto, que nos faz rir, reflectir, arrepender e viver, já o livro em si podia ter sido mais bem cuidado por parte da Chiado Editora.
Não percebo porque é que se continuam a cortar palavras quando temos a possibilidade técnica, ou tecnológica, ou como se queira, de construirmos linhas seguidas, sem tracinhos que dificultam e cortam a leitura, principalmente em casos como ca-
minhos-de-ferro.
Não podiam os caminhos ter seguido juntos? Tiveram que se cortar para multiplicar hífenes... vou deixar uma sugestão, e que tal caminhos tracinho de tracinho ferro? Ou ainda, português tracinho tracinho francês... sim, tracinho tracinho, porque estão lá dois: português--fran-
cês. Ou ainda um desajustado desajus-ta-
damente.
A revisora - na ficha técnica identificada como Margarida Maria - não devia confundir Ah com Ha, devia chapelizar os silêncios, não devia ter deixado passar um ? em lugar de um é, devia ter visto que o lucro da Tourada é aos milhões, devia ter finalizado cada nota de rodapé com o respectivo sinal de ponto final, que devia ter poupado na contracapa que termina inexplicavelmente com um duplo ponto final, ou será com umas reticências mancas?
Por outro lado ainda, nada me impede de ir passear com uma camisa de dormir ou ir ao cinema de fato de mergulho. Nada me impede, mas vou ser alvo de olhares, risinhos e dedos apontados. Acontece o mesmo com a paginação que deixa artigos dependurados, palavras de uma só letra que ali se vê, sozinha, perdida e que nos faz perder a nós ainda mais quando aparece imediatamente a seguir a um ponto final...
Também inexplicavelmente o livro não se encontra à venda. Na Fnac informam que terá que ser encomendado ao editor, com um tempo de espera de uma a duas semanas, e com um preço de 14€, mais caro que na Wook, que com o desconto fica em 12,60€. Ora, uma a duas semanas é o tempo em que me chegam encomendas via Amazon, um pouco de todo o mundo, uma a duas semanas é tempo mais que suficiente para que eu pondere se afinal quero encomendar um livro ou uma estátua, uma a duas semanas é muito tempo, uma a duas semanas é desencorajante, principalmente num livro excelente para levar de férias. Os editores não deviam defender os seus autores...? Não me parece que neste caso isso aconteça.
E merecia, merecia mesmo muito.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Obscenidades
Há alturas no ano em que tenho três empregos, ou trabalhos, para quem acha que emprego é fazer os mínimos. Dou tudo por tudo e sinto-me verdadeiramente triste e frustrada por chegar a esta altura e verificar que tenho o suficiente para ir à praia mais próxima dia sim, dia não.
Fiz planos para ir ao Algarve uma semana, com despesas repartidas é claro mas, afinal, nem para isso dá.
Há gente que não me paga, há gente que nem põe a hipótese de me pagar e a culpa é inteiramente minha que não devia mexer um dedo para gastar um joule ou uma caloria em expectativas que não se concretizam. E eu sei que não se vão concretizar. Mas... quem sabe, talvez, ... e faço.
Sozinha e dentro de quatro paredes, sem um cêntimo para sair à rua, penso em Anne Frank: faz hoje anos que foi descoberta e presa.
PORRA! É obsceno que me queixe... mas que me custa, custa...
Custa-me trabalhar tanto e não ser compensada, custa-me não poder ter o mínimo que considero razoável, custa-me receber postais de vários locais onde não posso ir, custa-me ver tanta televisão, custa-me até ler, custa-me ver os meus planos mais básicos desfeitos, custa-me as pessoas afastarem-se de mim por não as poder acompanhar, custam-me certos silêncios, aparentemente incompreensíveis, aparentemente... mas depois lembro-me de uma 'amiga' que me disse que até era bom eu ter sempre roupa para passar a ferro, pois assim não me custava tanto a passar o tempo... e percebo que de facto deve haver muito (boa?) gente que se afasta porque talvez tenham receio que eu peça alguma coisa... Sim, eu adorava ir jantar fora - a última vez foi no Natal e porque me ofereceram - mas só posso ir se me ofereceres o jantar... Sim, eu adorava ir ao cinema, mas só posso ir se me convidares...
Será que têm receio que eu responda desta forma? Será que não me conhecem? Muitos serás se alinham numa fila, apenas com uma certeza... não sentem a minha falta, o que me deixa numa tristeza sem fim, porque não sei o que possa fazer mais por todos e por cada um que me rodeiam. Assim, concentro-me a pensar... Anne Frank, Anne Frank, Anne Frank, Anne Frank,...
Fiz planos para ir ao Algarve uma semana, com despesas repartidas é claro mas, afinal, nem para isso dá.
Há gente que não me paga, há gente que nem põe a hipótese de me pagar e a culpa é inteiramente minha que não devia mexer um dedo para gastar um joule ou uma caloria em expectativas que não se concretizam. E eu sei que não se vão concretizar. Mas... quem sabe, talvez, ... e faço.
Sozinha e dentro de quatro paredes, sem um cêntimo para sair à rua, penso em Anne Frank: faz hoje anos que foi descoberta e presa.
PORRA! É obsceno que me queixe... mas que me custa, custa...
Custa-me trabalhar tanto e não ser compensada, custa-me não poder ter o mínimo que considero razoável, custa-me receber postais de vários locais onde não posso ir, custa-me ver tanta televisão, custa-me até ler, custa-me ver os meus planos mais básicos desfeitos, custa-me as pessoas afastarem-se de mim por não as poder acompanhar, custam-me certos silêncios, aparentemente incompreensíveis, aparentemente... mas depois lembro-me de uma 'amiga' que me disse que até era bom eu ter sempre roupa para passar a ferro, pois assim não me custava tanto a passar o tempo... e percebo que de facto deve haver muito (boa?) gente que se afasta porque talvez tenham receio que eu peça alguma coisa... Sim, eu adorava ir jantar fora - a última vez foi no Natal e porque me ofereceram - mas só posso ir se me ofereceres o jantar... Sim, eu adorava ir ao cinema, mas só posso ir se me convidares...
Será que têm receio que eu responda desta forma? Será que não me conhecem? Muitos serás se alinham numa fila, apenas com uma certeza... não sentem a minha falta, o que me deixa numa tristeza sem fim, porque não sei o que possa fazer mais por todos e por cada um que me rodeiam. Assim, concentro-me a pensar... Anne Frank, Anne Frank, Anne Frank, Anne Frank,...
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Coincidências
Na sala de espera da clínica aguardo que me chamem para fazer exames. Ouço o meu nome, dois nomes próprios e um apelido, o último. Fecho o livro, guardo-o e levanto-me. Adiante de mim levantara-se uma senhora, que atirou com a revista de um dos meses de Verão do ano passado para cima da mesinha onde estão mais dez semelhantes, ou mais atrasadas ainda, e prepara-se para seguir a funcionária.
Pergunto se pode repetir o nome de quem chamou, devo ter ouvido mal, a ansiedade fizera-me ouvir o meu nome. A funcionária repete os meus dois primeiros nomes e o meu último apelido, sorrio e antes de dar o impulso do primeiro passo em direcção a uma máquina torturadora que me esborracha as mamas, a senhora diz, para meu espanto: Sou eu.
Espera aí... também sou eu...
Ambas espantadas constatámos que tínhamos o nome igual, curiosamente não muito comum.
Pergunto se pode repetir o nome de quem chamou, devo ter ouvido mal, a ansiedade fizera-me ouvir o meu nome. A funcionária repete os meus dois primeiros nomes e o meu último apelido, sorrio e antes de dar o impulso do primeiro passo em direcção a uma máquina torturadora que me esborracha as mamas, a senhora diz, para meu espanto: Sou eu.
Espera aí... também sou eu...
Ambas espantadas constatámos que tínhamos o nome igual, curiosamente não muito comum.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Na voz de Dean Martin... um mimo...
When Marimba Rhythms start to play
Dance with me, make me sway
Like a lazy ocean hugs the shore
Hold me close, sway me more
Dance with me, make me sway
Like a lazy ocean hugs the shore
Hold me close, sway me more
Like a flower bending in the breeze
Bend with me, sway with ease
When we dance you have a way with me
Stay with me, sway with me
Bend with me, sway with ease
When we dance you have a way with me
Stay with me, sway with me
Other dancers may be on the floor
Dear, but my eyes will see only you
Only you have the magic technique
When we sway I grow weak
Dear, but my eyes will see only you
Only you have the magic technique
When we sway I grow weak
I can hear the sounds of violins
Long before it begins
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now
Long before it begins
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now
Other dancers may be on the floor
Dear, but my eyes will see only you
Only you have the magic technique
When we sway I go weak
Only you have the magic technique
When we sway I go weak
I can hear the sounds of violins
Long before it begins
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now
You know how
Sway me smooth, sway me now
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now
You know how
Sway me smooth, sway me now
Para ouvir e dançar aqui.
From Keats
Bright star, would I were stedfast as thou art
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors
No yet still stedfast, still unchangeable,
Pillow'd upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever or else swoon to death.
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors
No yet still stedfast, still unchangeable,
Pillow'd upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever or else swoon to death.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Quadro de honra
Os meus sobrinhos estão no quadro de honra da nossa felicidade. Ela com um 4 a Música, ele a Trabalhos Oficinais, Educação Visual ou algo do género. De resto, nota máxima.
Os gaiatos só servem para pensar, não para fazer; darão dois péssimos ministros pois são excelentes alunos, ambos muito criticos do sistema e com uma capacidade, inusitada nas idades, para relacionar questões e perceber a multiplicidade de aspectos do quotidiano, no fundo, o desiquilíbrio da vida.
É claro que estralejamos de alegria com tão distintas notas, ufanamo-nos com uma carreirinha de cincos, temos a certeza que não davam seis, caso contrário, lá estariam.
Porém, há que dar os parabéns a mãe e pai, cuja atenção e dedicação contribui para estes sucessos. Não se trata de obrigar a fazer trabalhos de casa, eles fazem-nos sozinhos, espontaneamente. Trata-se de falar, de ler, de consumir informação, de discutir, de reflectir e, parecendo pouco, mas é talvez a fatia mais importante, trata-se de ouvir.
Por norma, são os filhos que ouvem os pais, mas o contrário é essencial, dar-lhes a palavra, não os acusar de dizer parvoíces, ouvi-los como pessoas que são.
Tenho imenso orgulho nestas duas pessoas tão especiais e acredito que estão ambos destinados a altos voos. Acredito porque eles manifestam a intenção, sem medo do futuro, de fronteiras, de línguas ou geografias, filhos do pai, um andarilho de meter inveja ao próprio Marco Polo.
Férias, venham elas que são muitíssimo merecidas!
Os gaiatos só servem para pensar, não para fazer; darão dois péssimos ministros pois são excelentes alunos, ambos muito criticos do sistema e com uma capacidade, inusitada nas idades, para relacionar questões e perceber a multiplicidade de aspectos do quotidiano, no fundo, o desiquilíbrio da vida.
É claro que estralejamos de alegria com tão distintas notas, ufanamo-nos com uma carreirinha de cincos, temos a certeza que não davam seis, caso contrário, lá estariam.
Porém, há que dar os parabéns a mãe e pai, cuja atenção e dedicação contribui para estes sucessos. Não se trata de obrigar a fazer trabalhos de casa, eles fazem-nos sozinhos, espontaneamente. Trata-se de falar, de ler, de consumir informação, de discutir, de reflectir e, parecendo pouco, mas é talvez a fatia mais importante, trata-se de ouvir.
Por norma, são os filhos que ouvem os pais, mas o contrário é essencial, dar-lhes a palavra, não os acusar de dizer parvoíces, ouvi-los como pessoas que são.
Tenho imenso orgulho nestas duas pessoas tão especiais e acredito que estão ambos destinados a altos voos. Acredito porque eles manifestam a intenção, sem medo do futuro, de fronteiras, de línguas ou geografias, filhos do pai, um andarilho de meter inveja ao próprio Marco Polo.
Férias, venham elas que são muitíssimo merecidas!
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Fim-de-semana (em) cheio
Fim-de-semana alargado e de recarregamento de força e energia para as minhas amigas com um extra para mim: esquecer.
Fiquei melhor à força das brincadeiras delas e de um mar digno das Caraíbas, sol escaldante, areia fina, copos e muita gargalhada.
Tudo se passou no Alvor, palavra que alvoraça... mas concluo que um exorcismo precisa de confronto, de peito cheio, sem medos e foi isso que aconteceu, perceber o que quero acima de tudo e que se resume a conservar amizades.
Resume, mas não é coisa pouca, antes pelo contrário, é vital e imprescindível, depois de amizades desfeitas sem que eu tenha entendido bem como, há aquelas que me fariam sentir morrer se tal coisa acontecesse, por isso são precisas doses enormes de creme protector, para proteger e conservar, manter, cuidar, que o mesmo é dizer, esquecer certas coisas para guardar outras, mais valiosas.
Como a amizade, para sempre e mais quinze dias.
Ver o sol a despedir-se, sabendo que volta na manhã seguinte, bem cedo, passar a noite mais curta e o maior dia do ano em ambiente de praia, deixou-me bem disposta e confiante.
Curiosamente foi tudo diferente: não li uma página de qualquer livro, mas diverti-me imenso a ler revistas cor-de-rosa, leituras alto sobre os próximos episódios de novelas que nenhuma das três acompanha, mas que davam filmes cómicos com observações e, principalmente, com o facto de se ter instalado uma surdez colectiva provinda de tanto mergulho, fazendo que a alhos se respondessem bugalhos, originado ondas de gargalhadas e boa disposição que me elevaram a moral e me ajudaram a voltar ao meu eu.
Quem disse que a vida é uma maré acertou em cheio, há que esperar que suba e que desça, mas também podemos mudar a posição da toalha: desviar certos pensamentos, aceitar convites, estar disponível e não nos armarmos em Bela Infanta - eu que até desgosto de Almeida Garrett, por me ter desiludido quando percebi que As Viagens na Minha Terra foram feitas entre quatro paredes.
Vou deixar de tremer ao som da voz de Neptuno e vou ler mais revistas de Verão; parece simplório, mas será desafiante.
Fiquei melhor à força das brincadeiras delas e de um mar digno das Caraíbas, sol escaldante, areia fina, copos e muita gargalhada.
Tudo se passou no Alvor, palavra que alvoraça... mas concluo que um exorcismo precisa de confronto, de peito cheio, sem medos e foi isso que aconteceu, perceber o que quero acima de tudo e que se resume a conservar amizades.
Resume, mas não é coisa pouca, antes pelo contrário, é vital e imprescindível, depois de amizades desfeitas sem que eu tenha entendido bem como, há aquelas que me fariam sentir morrer se tal coisa acontecesse, por isso são precisas doses enormes de creme protector, para proteger e conservar, manter, cuidar, que o mesmo é dizer, esquecer certas coisas para guardar outras, mais valiosas.
Como a amizade, para sempre e mais quinze dias.
Ver o sol a despedir-se, sabendo que volta na manhã seguinte, bem cedo, passar a noite mais curta e o maior dia do ano em ambiente de praia, deixou-me bem disposta e confiante.
Curiosamente foi tudo diferente: não li uma página de qualquer livro, mas diverti-me imenso a ler revistas cor-de-rosa, leituras alto sobre os próximos episódios de novelas que nenhuma das três acompanha, mas que davam filmes cómicos com observações e, principalmente, com o facto de se ter instalado uma surdez colectiva provinda de tanto mergulho, fazendo que a alhos se respondessem bugalhos, originado ondas de gargalhadas e boa disposição que me elevaram a moral e me ajudaram a voltar ao meu eu.
Quem disse que a vida é uma maré acertou em cheio, há que esperar que suba e que desça, mas também podemos mudar a posição da toalha: desviar certos pensamentos, aceitar convites, estar disponível e não nos armarmos em Bela Infanta - eu que até desgosto de Almeida Garrett, por me ter desiludido quando percebi que As Viagens na Minha Terra foram feitas entre quatro paredes.
Vou deixar de tremer ao som da voz de Neptuno e vou ler mais revistas de Verão; parece simplório, mas será desafiante.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Urgentemente
Se Eugénio de Andrade diz...
É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
permanecer.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Da ilusão
Estou confusa
e baralhada.
Fui eu que não
soube ler os sinais?
Desaprendi a leitura do mapa da vida?
Enganei-me na sinalética
dos relacionamentos?
Tão esperta para algumas coisas, tão burra para outras,
diriam todas as pessoas que conheço.
Há alturas
em que certos verbos parecem pertencer à categoria dos confettis, confiar,
acreditar, esperar, essas coisas.
Qual fogo
brando, ao qual apontaram um foco de calor, iluminei-me e agora sufoco no meu
próprio incêndio, no qual acendo cigarros atrás uns dos outros.
Isto passa.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Cry me a river
Now you say you're lonely
You cry the long night through
Well, you can cry me a river
I cried a river over you
Now you say you're sorry
For being so untrue
Well, you can cry me a river
Cry me a river
I cried a river over you
You drove me, nearly drove me, out
of my head
While you never shed a tear
Remember, I remember, all that you
said
You told me love was too plebeian
Told me you were through with me and
Now you say you love me
Well, just to prove that you do
Come on and cry me a river
Cry me a river
I cried a river over you
I cried a river over you
I cried a river...over you...
Dói que se farta
Séculos, sinto que passarem séculos desde a última vez que aqui escrevi.
O trabalho tem sido tanto e tão intenso que não encontro uma sombra para me deitar, menos ainda espaço para teclar.
Hoje vim ao exorcismo, o nublado do dia a fazer jus ao cinzento da alma, depois do frio se ter apoderado de mim, esbranquiçando a pele já morena.
Sinto-me um fantasma, sou mas não sou, visível e invisível, deambulo.
Agarro-me a conquistas e sucessos profissionais dos últimos tempos, a sorrisos largos, a trabalho bem feito e quando dou ouvidos ao relógio de parede, a badalar que há vida para além do trabalho, e me convenço disso mesmo, verifico que foi uma ilusão de óptica.
Como sinto acima de tudo que a minha missão é ajudar os outros, concentro-me desesperadamente nessa tarefa, como alguém que levou um tiro mas continua a rastejar.
Dói que se farta, mas passa.
Tem que passar.
Vai passar.
O trabalho tem sido tanto e tão intenso que não encontro uma sombra para me deitar, menos ainda espaço para teclar.
Hoje vim ao exorcismo, o nublado do dia a fazer jus ao cinzento da alma, depois do frio se ter apoderado de mim, esbranquiçando a pele já morena.
Sinto-me um fantasma, sou mas não sou, visível e invisível, deambulo.
Agarro-me a conquistas e sucessos profissionais dos últimos tempos, a sorrisos largos, a trabalho bem feito e quando dou ouvidos ao relógio de parede, a badalar que há vida para além do trabalho, e me convenço disso mesmo, verifico que foi uma ilusão de óptica.
Como sinto acima de tudo que a minha missão é ajudar os outros, concentro-me desesperadamente nessa tarefa, como alguém que levou um tiro mas continua a rastejar.
Dói que se farta, mas passa.
Tem que passar.
Vai passar.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Manifesto Norte Júnior - Que não se perca o Norte!
A História vive nas ruas e dá a cara nas fachadas dos prédios. Os homens
que transformaram a imaginação em realidade são pais de um trabalho que se
perpetua no tempo, ao ar livre, aguentando intempéries e todas as sortes.
As ruas de Lisboa têm várias cicatrizes NJ, que se manterão até que os
poderes públicos e privados assim o consintam.
Frequentemente, esquecemo-nos que um prédio é uma edição de um só exemplar,
irrepetível, e quando vai abaixo, entulha-se a História, da cidade, da
arquitectura, do arquitecto, a nossa História.
Quem nos legitimou para apagar a História?
Os edifícios são irreproduzíveis e a memória não os consegue plagiar para
que transportemos a riqueza acumulada de geração em geração.
Vivem entre nós pessoas magistrais, como Norte Júnior, temos o prazer de
conviver com o seu trabalho, que faz História, admiramo-lo, aplaudimo-lo e
deixamos que seja demolido!
Os interiores são obras de arte divinas, na medida em que funcionam como um
corpo humano, com órgãos, tecidos, ossos. Os interiores projectados por Norte
Júnior conjugam o calor das madeiras, a
intemporalidade da pedra, a força do ferro, a estrutura do betão, a luz dos
vitrais, a beleza da pintura, o delicado do estuque; têm o toque de Deus, como
dizia van der Rohe, na profusão dos detalhes.
Não interessa, é demolido na mesma!
É o progresso, dizem. Mas o progresso não trouxe conhecimento técnico, e
científico, e histórico, e tecnológico? O progresso não aumentou a visão de
conjunto? E trouxe vontade…?
Insurgimo-nos contra a devastação do património na Síria, face à guerra: de
que nos serve a paz se não existe bom senso?
Se o futuro não contiver as pagadas geodésicas do passado será um espaço
vazio, pobre e infeliz.
Mantenha-se o edifício da Avenida da República, 55 e que não se perca o
Norte!
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Eu gosto é do Verão...
Dizem que os fiordes são lindos de se verem. Acredito, mas nunca vi estas impressionantes formações naturais do planeta; também nunca vi o sol da meia-noite, embora já tenha andado pelas ruas à meia-noite sem ser necessário acender qualquer luz, no círculo polar ártico.
As línguas, tão saborosamente diferentes, como se fosse uma música nova que estamos a ouvir; a gastronomia, os costumes, a roupa, as casas, um tudo enorme de que me lembro nestes dias chuvosos em que não é sequer Inverno.
As dores de cabeça são frequentes neste ambiente quente e húmido, qual Macau à beira do Tejo que se deixa cair no mar.
Decididamente não gostaria de viver num local onde os dias são pequenos e a escuridão anda sempre a espreitar, numa espécie de brincadeira com um frio danado.
No entanto há quem viva nestes locais e adore. Penso também que, com a minha capacidade de adaptação, me adaptaria a qualquer sítio... desde que houvesse praia, penso logo a seguir...
Nada disso! Quero afastar este preconceito metereológico-geográfico e pensar que podia viver em qualquer local do mundo. Sim, eu sou capaz!
Quero acreditar nisto, mas olho pela janela, vejo a noite a aproximar-se às quatro da tarde e, instintivamente, entristeço.
As línguas, tão saborosamente diferentes, como se fosse uma música nova que estamos a ouvir; a gastronomia, os costumes, a roupa, as casas, um tudo enorme de que me lembro nestes dias chuvosos em que não é sequer Inverno.
As dores de cabeça são frequentes neste ambiente quente e húmido, qual Macau à beira do Tejo que se deixa cair no mar.
Decididamente não gostaria de viver num local onde os dias são pequenos e a escuridão anda sempre a espreitar, numa espécie de brincadeira com um frio danado.
No entanto há quem viva nestes locais e adore. Penso também que, com a minha capacidade de adaptação, me adaptaria a qualquer sítio... desde que houvesse praia, penso logo a seguir...
Nada disso! Quero afastar este preconceito metereológico-geográfico e pensar que podia viver em qualquer local do mundo. Sim, eu sou capaz!
Quero acreditar nisto, mas olho pela janela, vejo a noite a aproximar-se às quatro da tarde e, instintivamente, entristeço.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Opilca, precisa-se!
O casaco verde alfaçado faz-me reparar na mulher que vai sentada um banco ao lado no metro. É giríssimo e fica mesmo bem em cima do vestido branco, leve, que transporta o Verão.
Só quando nos levantamos para sair na última paragem é que reparo que leva um braço ao peito, o que não a impede de desatar a correr pelas escadas acima, mala pendurada no braço bom, passar pelas cancelas e... estatelar-se ao comprido no chão.
A queda foi aparatosa, toda ela a escorregar um bom par de metros como se brincasse na neve, pernas no ar a deixar ver o fio dental e aquilo que parecia a Mata do Bussaco!
Os gritos eram genuínos, as lágrimas corriam-lhe pela cara, o braço queixava-se. A mão do braço bom no chão ajudou-a a levantar-se, tendo primeiro ficado de gatas, a saia do vestido em cima das costas.
Várias foram as pessoas que a ajudaram, todas sem conseguirem conter os lábios, que teimavam em abrir-se num sorriso, eu incluída.
Não há volta a dar, estas situações são sempre gregas, trágico-cómicas, tão dolorosas física como psicologicamente.
Só quando nos levantamos para sair na última paragem é que reparo que leva um braço ao peito, o que não a impede de desatar a correr pelas escadas acima, mala pendurada no braço bom, passar pelas cancelas e... estatelar-se ao comprido no chão.
A queda foi aparatosa, toda ela a escorregar um bom par de metros como se brincasse na neve, pernas no ar a deixar ver o fio dental e aquilo que parecia a Mata do Bussaco!
Os gritos eram genuínos, as lágrimas corriam-lhe pela cara, o braço queixava-se. A mão do braço bom no chão ajudou-a a levantar-se, tendo primeiro ficado de gatas, a saia do vestido em cima das costas.
Várias foram as pessoas que a ajudaram, todas sem conseguirem conter os lábios, que teimavam em abrir-se num sorriso, eu incluída.
Não há volta a dar, estas situações são sempre gregas, trágico-cómicas, tão dolorosas física como psicologicamente.
Uma gargalhada com vinte anos
Uma desilusão no início de um fim-de-semana passado com uma pessoa muito especial.
Uma grande expectativa que não foi concretizada, mas que não abalou os dias que a M., o marido e o filho passaram na minha casa.
Quando se foram embora deixaram-me cansada... cansada de rir, cansada de conversar, cansada de boa-disposição... quem não gosta de estar assim cansada?
Anseio por lhe devolver a visita e voltarmos a rir juntas, coisa que fazemos há vinte anos.
Não é para qualquer um e eu sinto-me afortunada com esta amizade.
Uma grande expectativa que não foi concretizada, mas que não abalou os dias que a M., o marido e o filho passaram na minha casa.
Quando se foram embora deixaram-me cansada... cansada de rir, cansada de conversar, cansada de boa-disposição... quem não gosta de estar assim cansada?
Anseio por lhe devolver a visita e voltarmos a rir juntas, coisa que fazemos há vinte anos.
Não é para qualquer um e eu sinto-me afortunada com esta amizade.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Zoom
Ontem à noite jantei fora de casa.
A caminho do restaurante para onde me convidaram, sem chuva, com o mar a ladear a estrada, os relâmpagos iluminavam-me o caminho.
Apesar de ligeiramente atrasada, desacelerei para poder captar aquele instante tão rápido do clarão reflectido na água, como se alguém no céu me estivesse a fotografar.
Estava tão feliz que devo ter ficado mesmo bem no retrato!
A caminho do restaurante para onde me convidaram, sem chuva, com o mar a ladear a estrada, os relâmpagos iluminavam-me o caminho.
Apesar de ligeiramente atrasada, desacelerei para poder captar aquele instante tão rápido do clarão reflectido na água, como se alguém no céu me estivesse a fotografar.
Estava tão feliz que devo ter ficado mesmo bem no retrato!
Depois da tempestade vem o Arco-íris
Somewhere over the
rainbow
Way up high
And the dreams that you dreamed of
Once in a lullaby
Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dreamed of
Dreams really do come true ooh oh
Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney tops
That's where you'll find me
Oh, somewhere over the rainbow bluebirds fly
And the dream that you dare to,
Oh why, oh why can't I?
Well I see trees of green and red roses too,
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world
Well I see skies of blue
And I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark
And I think to myself
What a wonderful world
The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands
Saying, "How do you do?"
They're really saying, I...I love you
I hear babies cry and I watch them grow,
They'll learn much more than we'll know
And I think to myself
What a wonderful world world
Someday I'll wish upon a star,
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top
That's where you'll find me
Oh, somewhere over the rainbow way up high
And the dream that you dare to, why, oh why can't I? I?
Way up high
And the dreams that you dreamed of
Once in a lullaby
Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dreamed of
Dreams really do come true ooh oh
Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney tops
That's where you'll find me
Oh, somewhere over the rainbow bluebirds fly
And the dream that you dare to,
Oh why, oh why can't I?
Well I see trees of green and red roses too,
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world
Well I see skies of blue
And I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark
And I think to myself
What a wonderful world
The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands
Saying, "How do you do?"
They're really saying, I...I love you
I hear babies cry and I watch them grow,
They'll learn much more than we'll know
And I think to myself
What a wonderful world world
Someday I'll wish upon a star,
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top
That's where you'll find me
Oh, somewhere over the rainbow way up high
And the dream that you dare to, why, oh why can't I? I?
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