segunda-feira, 26 de maio de 2014

Filhos...

Ao meu lado no metro segue uma mulher, mais ou menos da minha idade, a marcar números no telemóvel com dedos furiosos. Finalmente alguém atende e ela pergunta ansiosa por um nome masculino: Estás com ele? A resposta vem negativa, ouvi-a perfeitamente, acrescentada de uma pergunta: Mas... não sabe do seu filho?
Instintivamente fico toda arrepiada e a leitura a que me dedico desvanece-se na minha memória. A mulher pede o número de um outro amigo e eu estico-lhe um papel e uma caneta, que ela agradece com o olhar. Aponta o número que marca em seguida. Atende-a uma voz ensonada e sim, o filho dela dormiu ali, aliás, está a dormir. Confrontam-se de razões, porque não ligou, mas ele sonha a minha preocupação...? Que não tinha saldo, responde o outro do lado de lá... E os teus pais? Não estão? Ninguém lhe podia ter emprestado um telefone, nem que fosse para um sms? Ele que vá já para casa que eu também estou a ir, não tenho condição de ir trabalhar, conclui a conversa, levantando-se para sair na próxima paragem.
Já não consigo reatar a leitura, incomodada pela situação. Penso o que sentiria se o meu filho procedesse daquela maneira, penso como até tenho sorte por ele estar sempre a mandar-me mensagens e ser o primeiro a dar-me o número de telefone dos amigos. Penso, penso, penso... e nem quero pensar, solidária com aquela mãe devastada.

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