terça-feira, 22 de abril de 2014

Para mais tarde recordar

O Duarte entrou de férias na quinta-feira da Páscoa, almoçou e jantou com pais, avós, tios e primos, gerindo tempos e refeições e fez-se à estrada com dois amigos. Destino, Madrid.
Apesar de ter estado inúmeras vezes no estrangeiro, do continente americano, ao asiático, passando por diversos países da Europa, diz que não se lembra de quase nada e quer recomeçar.
Ele poupou, os avós e o pai contribuem com uns euros e eu dou-lhe a maior força, à falta de mais contributo. À saída dou-lhe dez euros para beberem café no caminho. Recusa, com um forte agradecimento: conhece-me e sabe que preciso deles.
Despeço-me deles com imensa inveja. Não por irem... mas por estarem na idade de ir, aquela idade em que tudo é permitido, aquela idade que é a idade certa para tudo, mesmo que o tudo inclua avarias, porque as avarias têm conserto.
Desejo-lhes boa viagem e digo-lhes que se divirtam. Não evito e acrescento, com juízo. Eles riem, satisfeitos, felizes.
Já foram a Sevilha juntos, mas foram e vieram no mesmo dia, uma saída de Portugal como quem sai em liberdade condicional, não para a capital, vários dias, sozinhos. O Duarte e um dos amigos já lá estiveram, nenhum se lembra de quase nada, vão os três praticamente em pé de igualdade.
Com outro grupo diferente prepara-se uma ida a Londres em Novembro. Vão visitar uma amiga que lá está a aprender inglês para poder assumir um trabalho. Nas últimas semanas, apesar do meu trabalho intenso, temos conversado imenso e aproximado ainda mais: os preparativos desta viagem a Londres têm sido fonte de conversas e mais conversas, o que prova que, tão importante como a viagem é a sua preparação. Pelo menos para mim...
Ambos já estivemos em Londres, eu várias vezes, o Duarte uma, com o pai, tudo controlado e na cama às dez da noite. Ansiamos ir juntos, andar no Soho, ir aos teatros, beber umas cervejas, tanta coisa. Falamos nisto vezes sem conta, mas eu prefiro ajudá-lo a ir com os amigos, pelo menos agora, na idade em que tudo é permitido, na idade certa para fazer tudo, na idade em que se constroem memórias inesquecíveis, aquelas que mais tarde se contam aos netos, com sorrisos malandros.

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