quinta-feira, 16 de maio de 2013

Semana académica, noites de insónia

Avisou-me o Duarte que durante a semana académica não se comprometeria com horários de entrada em casa. Eu tinha que compreender, foi dito em tom de voz conciliador não fosse eu lembrar-me de algum motivo obscuro para que ele não fosse e ao qual ele não se pudesse escapar. Eu compreendo sim, filho.
Mas também sei que, habituada à entrada em casa a certa hora, na maioria dos dias antes de eu me deitar, agora estranho tanta sexta-feira seguida, tanto sábado a seguir um ao outro. Mesmo nesses dias, muitos há em que ele, qual Cinderela, antes da meia-noite está em casa. Assim, agora adormeço mas acordo passado algum tempo e fico ali a ler o escuro. Não estou completamente acordada, razão porque não pego num livro, não estou a dormir verdadeiramente, mas estou alerta, bombeira viciada, e até sonho. Sei que estou a sonhar mas meia acordada, refutando assim quem diz que só se sonha em sonos profundos.
Hoje passou pelo quarto uma equipa de padres que participavam num peddy paper e um deles fez intenção de se sentar numa cadeira que não pertence ao quarto mas ali ficou a pernoitar. Dei um salto na cama e tirei da cadeira um monte de camisolas de inverno que aguardam ser colocadas no alto do armário. Com as batinas a fazerem frou-frou perguntaram-me onde podiam encontrar o nome da rainha das Amazonas. Disse-lhes que se chamava Hipólita mas eles retorquíram que tinham que indicar o livro e a página onde recolheram a informação. Disse-lhes que inventassem e virei-me para o outro lado. 
De manhã o monte de camisolas estava no banco aos pés da cama e não na dita cadeira onde efectivamente o tinha deixado. Tudo torto e amarrotado, é claro.
Esta mistura de sonhos e de realidade enquanto decorre a espera pelo Duarte é fatigante e confusa. De manhã vou reprogramando o despertador para mais cinco minutos o que na prática não adianta nada pois mantenho-me naquele estado de semi a dormir e semi acordada.
Curiosamente nas sextas e sábados em que ele sai, ou noutros dias muito esporádicos a propósito do aniversário de um amigo, eu adormeço e nem dou conta dele chegar. Mais, sempre me insurgi contra quem me dizia que não conseguia dormir até os filhos chegarem e que a preocupação era enorme, sempre a pensarem o pior e etc., etc. E agora sou eu que ajo assim. Acredito também que isto se deva ao estado de exaustão geral, tal como naquelas noites em que temos muito sono e não conseguimos dormir ou, depois de horas esfomeados, ficamos enjoados e não nos apetece comer.
Uma coisa é certa, a dormir ou acordada, a sonhar ou bem desperta, já que tem que entrar alguém no meu quarto, têm que ser padres? Com franqueza…

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